Depois de 48h de trégua, Polícia Civil recomeça greve em SP

Falta de nova proposta de reajuste do salário-base causa indignação e categoria decide retomar paralisação

10 de outubro de 2008 | 02h36

As sete associações da Polícia Civil romperam a negociação com o governo e decidiram retomar a greve que havia sido suspensa na quarta-feira. O governo do Estado e representantes da categoria não chegaram a um acordo; e a paralisação será retomada nas delegacias de São Paulo nesta sexta-feira. A reviravolta ocorreu depois da Secretaria de Gestão Pública informar que o governo não tinha nova proposta de reajuste do salário-base, mantendo o índice já oferecido de 6,2% - os policiais queriam 15% e já haviam deixado para mais tarde a discussão sobre os reajustes de 12% em 2009 e 2010. Segundo Renato Flor, assessor da Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (ADPESP), o governo estadual não apresentou qualquer proposta que avançasse nas negociações entre as partes. Em nota, publicada na página da ADPESP na Internet, o presidente da associação, delegado Sérgio Marcos Roque, acusa o governo de intransigência e convoca toda a categoria a retomar a greve com força total. A decisão de retomar a paralisação foi tomada pelos líderes mais moderados da Polícia Civil, entre eles o presidente da associação. Roque havia sido acusado de traidor pelos sindicatos da polícia quando decidiu suspender por 48 horas a greve que já durava 20 dias para reabrir as negociações com o governo do Estado. Nesta sexta-feira, a partir das 13 horas, membros da categoria devem se reunir no vão livre do Masp, para uma manifestação, que pode se transformar em passeata pela Avenida Paulista. As últimas 48 horas foram de congestionamento nas delegacias por conta da retomada de registro de ocorrências tidas como de menor gravidade pela Polícia Civil, como furto de veículos e documentos. Liminar do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) determina que 80% da categoria permaneça trabalhando durante a paralisação. Nenhum serviço pode ser interrompido. Durante os 20 primeiros dias da greve, os policiais só registraram boletins de ocorrência de casos considerados graves. Muitos deixaram de fazer escolta de presos. A crise levou o diretor do Departamento de Inteligência da Polícia Civil, Domingos de Paulo Neto, a se afastar do cargo. (Colaboraram Ricardo Valota, do estadao.com.br; e Marcelo Godoy, de O Estado de S.Paulo)

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