Depois de 2000, assassinatos voltam a taxas dos anos 60

Um dos fatos mais instigantes dos últimos anos na cidade é a brusca oscilação de assassinatos ocorrida em períodos tão curtos. Entre os anos 1960 e 2000, o crescimento de homicídios ultrapassou os 900%. A partir do ano 2000, a curva se inverteu e se iniciou a reversão acelerada acima de 80%, voltando a taxas semelhantes às registradas nos anos 1960. Como justificar mudanças de comportamento tão abruptas em uma mesma população?

Bruno Paes Manso, O Estado de S.Paulo

16 de abril de 2011 | 00h00

O crescimento do número de presos poderia ser uma hipótese. Mas por que as prisões só conseguem diminuir os assassinatos, enquanto os roubos, também vulneráveis à ação da polícia, continuam crescendo?

Conhecer as motivações por trás dos homicídios ajuda a encontrar respostas. Quando os assassinatos começaram a crescer nos anos 1970, acreditava-se que as mortes ajudariam a limitar a desordem que ameaçava os bairros que surgiam. Era a época dos grupos de extermínio na PM e dos justiceiros. Os resultados desastrosos dessa tática, no entanto, foram ficando claros com o passar dos anos. Os assassinatos, em vez de garantirem a ordem, provocavam intensos ciclos de vingança, que fugiam ao controle de todos. O próprio assassino passava a ter os dias contados, já que seria vingado. Era um tipo de crime em que todos perdiam. Parar de matar era algo que interessava a todos. Por isso o pacto se consolidou - com ajuda do Estado.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.