Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Depois de 19 meses de alta, roubos caem no Estado de São Paulo

No comparativo de dois anos, crime contra o patrimônio ainda está em patamar 27% mais alto. De 20 delitos com análise mensal, só o roubo de cargas registrou acréscimo neste ano

Bruno Ribeiro e Rafael Italiani, O Estado de S. Paulo

24 Fevereiro 2015 | 12h49

Atualizado às 21h38

SÃO PAULO - Depois de 19 meses de alta, o registro de roubos no Estado de São Paulo sofreu a primeira freada em janeiro deste ano, com queda de 4,1%, na comparação com o mesmo mês do ano passado. Em números absolutos, divulgados nesta terça-feira, 24, foram 25.880 ocorrências, ante 26.987 em janeiro de 2014. Na capital, o delito oscilou 1,7% para baixo, de 13.416 casos para 13.188.

A disparada dos roubos e furtos no Estado – casos que não incluem carros, cargas e bancos, mas carteiras e celulares, por exemplo – ocorria desde junho de 2013. No comparativo de dois anos, os roubos ainda estão em um patamar 27% mais alto do que antes de a tendência de alta começar. Mas da cesta de índices de criminalidade divulgados mensalmente pela Secretaria de Estado da Segurança Pública, que inclui 20 delitos, apenas a categoria “roubo de carga” teve aumento em janeiro: 1,34%, na comparação com o mesmo mês de 2014, passando de 771 para 782 casos.

“Foi um mês de grande combate (ao crime), como havia anunciado, no mês passado, na questão dos crimes contra o patrimônio. E neste mês de janeiro nós tivemos redução. Ou seja, após 19 meses de aumento, já tivemos agora a inflexão da curva. A redução significa 1.107 vítimas roubadas a menos. O roubo é aquele crime que mais causa insegurança, que é cometido na esquina”, disse nesta terça o secretário da Segurança, Alexandre de Moraes, que ocupa o cargo há dois meses.

Especialistas em segurança pública, entretanto, ainda preferem esperar mais alguns meses – e confirmar se de fato há uma tendência de queda –, antes de fazer mais análises. Nem mesmo as causas da disparada são claras. “A secretaria deu duas explicações que acho esdrúxulas. Uma que as queixas aumentaram porque aumentou o registro feito pela internet, e outra que as pessoas estavam aplicando golpes. Nenhuma das duas causas explica esse aumento”, afirmou o cientista político Guaracy Mingardi.

“Só 2% dos registros de roubos viraram inquéritos policiais. São casos de flagrante, em que o criminoso é pego no momento do crime. Os ladrões mais profissionais perderam o medo”, disse Mingardi. “Sem contar que o bandidão, quando é preso, está ‘em casa’. Porque o presídio é controlado pelo Primeiro Comando da Capital (PCC). Agora, se vai cair mesmo ou não (a criminalidade), só vamos saber daqui uns três meses”, concluiu.

Celulares. Apesar da redução dos roubos em geral, os casos em que o único objeto levado da vítima é o telefone celular registraram crescimento, de 19,61%, na comparação entre os meses de janeiro (de 5.340 para 6.387 casos). Desde o começo de fevereiro, a vítima desse crime deve fornecer à Polícia Civil um código do aparelho, chamado IMEI, para que o telefone seja bloqueado.

“Isso só terá efeito daqui a três meses, quando a outra ponta, o receptor, perceber que esses aparelhos são inúteis”, disse o secretário Moraes. Na maior parte dos modelos, o IMEI pode ser obtido digitando o código *#06# no teclado.
Mortes. Os homicídios registraram nova queda, mantendo a tendência de redução que se apresenta há 17 meses. Desta vez, o recuo foi de 422 casos, em janeiro de 2014, para 368 registros no primeiro mês deste ano (12,8% de redução). Na capital, houve queda de 3%, de 100 para 97 casos.

Com esse registro, o Estado atingiu taxa de 9,85 mortes para cada grupo de 100 mil habitantes. A Organização das Nações Unidas (ONU) adota como critério para determinar se uma região vive uma epidemia de homicídios ou não a taxa de 10 mortes para cada grupo de 100 mil pessoas. São Paulo é o único Estado dentro da meta. 

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