Dependentes químicos se aglomeram para ver jogo na Cracolândia

Cerca de 50 moradores de rua vestidos de verde, amarelo e azul estão na tenda enquanto outro grupo fuma crack do lado de fora

Rafael Italiani, O Estado de S. Paulo

12 de junho de 2014 | 17h19

SÃO PAULO - A Cracolândia, na região central, está pintada de verde e amarelo para o primeiro jogo da Copa do Mundo. Na tenda da operação Braços Abertos, da Prefeitura, cerca de 50 moradores de rua e dependentes químicos vestindo camisetas com as cores da bandeira brasileira se aglomeravam em frente a uma televisão para acompanhar o jogo. Do lado de fora, um grupo de aproximadamente 70 pessoas fumava crack.

"Sinto que estou vendo o jogo de casa porque é na rua que eu vivo, como e tenho a minha vida. A calçada é minha casa, então não tem sentido eu me sentir incomodado de acompanhar a Copa daqui. Nas outras foi a mesma coisa, mas essa, por ser no Brasil, tem um gosto especial", afirmou o morador de rua Thiago Augusto dos Santos, 28 anos. Antes da partida, ele limpava vidros de carro na esquina da Rua Helvétia com a Avenida Rio Branco.

Usuário de crack, ele afirma não ser dependente. "Não vivo pela pedra, mas fumo. É errado dizer que todo usuário de crack depende de droga da para viver." Santos fugiu de casa aos 9 anos porque apanhava do pai. Desde então, vive nas ruas do centro. Esta quinta-feira, 12, foi um dia especial para ele. "Copa do Mundo é festa e todo mundo precisa de um pouco de alegria. Na próxima Copa vou estar na rua também porque ela faz parte de mim", disse.

Ao lado do cruzamento onde Santos trabalha, o comerciante peruano Lucas Antonio Kachito, 42 anos, recebia os colegas sul-americanos em seu bar. Chilenos, colombianos, venezuelanos, argentinos e até brasileiros dividiam espaço. "Hoje a América toda é brasileira", comemorava o comerciante dono do bar e restaurante Kachito's.

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