Denúncia de achaque de policiais derruba secretário-adjunto

Lauro Malheiros Neto afirma que acusações contra ele são levianas e nega ter favorecido policiais acusados

Bruno Tavares e Marcelo Godoy, O Estado de S. Paulo

06 de maio de 2008 | 15h46

O secretário-chefe da Casa Civil do Estado de São Paulo, Aloysio Nunes Ferreira, confirmou à reportagem de O Estado de S. Paulo que o secretário-adjunto de Segurança Pública, Lauro Malheiros Neto entregou sua carta de demissão no início da tarde desta terça-feira, 6. Na segunda-feira, deputados do PT na Assembléia Legislativa protocolaram pedido de criação da CPI do Achaque. O objetivo é apurar as denúncias sobre a ligação entre o então secretário-adjunto com Augusto Pena e José Roberto de Araújo, policiais presos e acusados de achacar e seqüestrar integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC).  VEJA TAMBÉMSerra diz que saída de secretário-adjunto não preocupaSSP divulga carta de demissão de Lauro Malheiros NetoEscuta indica que achaques provocaram ataques do PCC A decisão, segundo o chefe da Casa Civil estadual, foi pessoal "para se defender dessas acusações levianas que estão sendo feitas contra ele. Acho ele fez bem". Além disso, Nunes afirmou que o secretário de Segurança, Ronaldo Marzagão, recebeu a notícia com pesar, mas entendeu a posição de seu subordinado. Em entrevista ao Estado, Malheiros negou que tenha favorecido o investigador Augusto Pena depois de tomar posse do cargo. Ele afirmou que em momento algum telefonou ao delegado Nelson Silveira Guimarães pedindo que Pena, que estava afastado sob a suspeita de envolvimento com o seqüestro de R.O. , enteado de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, voltasse ao trabalho operacional. "Isso não procede. Nunca telefonei para o doutor Nelson. Ele era diretor de um departamento que se reporta à Delegacia Geral de Polícia. Nunca pedi a suspensão do afastamento desse policial", afirmou.O secretário-adjunto afirmou que conheceu Pena quando era delegado de polícia, em 1993. Ambos trabalhavam no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). "Como tantos outros policiais que conheci no período", afirmou. De acordo com ele, depois que trocou a polícia pela advocacia em 1996, Malheiros Neto afirmou que perdeu o contato com o investigador Pena até que, em 2000, o policial o procurou no escritório de seu pai, o advogado Lauro Malheiros Filho. "Ele queria que eu o defendesse em um caso civil." Tratava-se de uma ação contra uma empresa de convênio médico que não queria cobrar gastos do parto da mulher de Pena.Em 2005 ou 2006, segundo o secretário, o mesmo policial o procurou para que ele o defendesse no processo de dissolução de união estável. "Não faço família, por isso, o caso passou para uma advogada do escritório que cuida desses casos." Malheiros Neto disse que deixou todos os processos de seu escritório depois que assumiu o cargo. Ele afirmou não saber a razão pela qual o delegado Guimarães disse ter recebido um pedido seu para enviar o investigador sob suspeita para trabalhar no Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic). Ao ser questionado sobre um telefonema que ele teria dado ao promotor José Barbutto, do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaerco) sobre o caso envolvendo Pena e o investigador José Roberto Araújo, o secretário-adjunto afirmou que não se lembrava. Ele disse que sempre está em contato com promotores de Justiça e, em todas ocasiões, faz questão de pôr os meios da secretaria à disposição dos promotores. Uma operação do Ministério Público Estadual (MPE) pôs na cadeia dois investigadores acusados de montar um esquema criminoso de escutas telefônicas para extorquir dinheiro de integrantes da cúpula da facção Primeiro Comando da Capital (PCC). Os policiais são acusados de extorsão em pelo menos três ocasiões. Em uma delas, o descumprimento do acerto de pagamento levou aos ataques contra o DP de Suzano, na Grande São Paulo, um mês antes da primeira onda de atentados promovida pelo PCC, em 2006.

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