Luiz Fernando Toledo/Estadão
Luiz Fernando Toledo/Estadão

Dentista é morto após ser espancado por pichadores na zona norte

Segundo a Secretaria da Segurança Pública, grupo invadiu quintal da casa do rapaz e depois fugiu; ele e o pai perseguiram os suspeitos e foram atacados

Luiz Fernando Toledo, O Estado de S.Paulo

08 Agosto 2016 | 09h35
Atualizado 08 Agosto 2016 | 14h18

SÃO PAULO - Pichadores espancaram e mataram o dentista Wellington Silva, de 39 anos, na madrugada deste sábado, 6, na zona norte da capital paulista. O pai do rapaz, o aposentado Manoel Silva, de 76, também foi espancado, mas passa bem. O caso é investigado por policiais do 33º Distrito Policial (Vila Mangalot).

Manoel disse ao Estado que dormia quando, por volta das 2 horas, percebeu que seu cachorro não parava de latir. "Logo percebi que tinha alguma movimentação estranha na frente de casa."

Ao sair de casa, com um facão na mão, viu que o muro de sua casa estava pichado e relatou ter visto um grupo de oito a dez pessoas bebendo, entre elas uma mulher, com latas de spray na mão. "Fui tirar satisfação", disse à reportagem. Os homens começaram a agredi-lo, segundo ele, com "paus, pedras e até tijolos".  O filho viria em seguida para ajudá-lo, mas também foi agredido.

Na versão do primeiro boletim de ocorrência registrado, Manoel disse ter acertado um golpe de facão no braço de um dos homens. Em uma segunda versão - e ao Estado -. ele negou a agressão com a arma e disse que apenas se defendeu. O facão, segundo ele, foi levado pelos agressores. 

Manoel relatou à polícia ter ficado desacordado após os golpes e, ao retomar os sentidos, viu o filho caído. O irmão do rapaz chamou a polícia por volta das 3 horas, e o dentista foi encaminhado a um pronto-socorro em Pirituba, mas não resistiu aos ferimentos. O médico que o atendeu registrou o caso como "politrauma grave por agressão física".  No 33º DP, o registro foi de homicídio e lesão corporal.

"Estou arrasado. Minha relação com o Wellington não era de pai para filho. Era de melhores amigos. Não havia segredos entre nós, a gente se dava muito bem", disse o pai, com uma das mãos enfaixada e o rosto inchado.

Na manhã desta segunda-feira, 8, ele era consolado por vizinhos e conhecidos, que não paravam de chegar na porta de sua casa. "Meu filho era muito conhecido. Todos eram clientes no consultório que ele trabalha", disse Manoel. "Eu só queria ter tido mais tempo com ele." Segundo o pai, o velório do rapaz ocorreu neste domingo, 7.

Uma vizinha, que pediu para não ser identificada, relatou ter acordado com os gritos durante a briga. "A rua é muito movimentada, então ninguém deu muita importância. Mas a mãe dele (do dentista) ligou meia hora depois e disse que tinham matado ele", contou. 

Versões.  O caso foi registrado em dois boletins de ocorrência diferentes. No primeiro, os policiais afirmam que foram acionados por um irmão de Wellington Silva para atender a uma tentativa de roubo em sua casa. Ele disse aos policiais que o pai havia ouvido um barulho no quintal e que oito indivíduos estariam dentro de casa. 

Quando chegaram à residência, os policiais não encontraram sinais de arrombamento e nenhum objeto roubado. No dia seguinte ao episódio, novo boletim de ocorrência foi registrado, desta vez narrando a perseguição de Silva aos pichadores. 

Investigação. A Polícia Civil apreendeu um HD com as imagens da câmera de segurança da casa da família Silva. Nas imagens, reveladas pelo Bom Dia São Paulo, da TV Globo, um grupo de cinco homens é visto chegando em um carro na frente da casa, por volta das 2 horas. Eles picham o muro da casa do dentista, bebem e depois retornam ao carro.  Segundos depois, o pai sai de casa com o facão, em direção aos rapazes. 

Por causa da primeira versão do depoimento de Manoel, os policiais tentaram buscar por pessoas que tivessem cortes no braço em hospitais da região, mas não encontraram os suspeitos. Investigadores também buscam os autores da pichação por meio dos códigos na parede da casa de Silva. 

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