Ernesto Rodrigues/AE
Ernesto Rodrigues/AE

Demora leva dono a morar de favor e até desistir do negócio

Casal teve de remarcar data do casamento e professor teve dois filhos enquanto esperava entrega de apartamento

Adriana Ferraz e Bruno Ribeiro, O Estado de S.Paulo

19 Outubro 2011 | 03h02

É difícil contabilizar em reais os prejuízos causados pela entrega de um imóvel. A secretária Stela Barbosa Raimundo, de 26 anos, por exemplo, está morando de favor na casa da sogra porque o apartamento que ela comprou em 2009 ainda não está pronto. Ela também teve de adiar e remarcar seu casamento, programado originalmente para dezembro do ano passado.

"A promessa era de que o apartamento ficaria pronto em setembro do ano passado. Então marcamos o casamento para dezembro. Quando foi chegando a data e soubemos que o apartamento não seria entregue, resolvemos adiar", lembra.

Junho, segundo Stela, era a segunda data prometida pela construtora para a entrega do imóvel, que fica no Jaraguá, zona norte da cidade. Mas o prazo chegou e nada de as chaves aparecerem. "Aí não teve jeito. Já tinha entregado os convites, avisado os parentes, então não tínhamos mais como adiar a festa."

Agora, enquanto ainda espera o apartamento sair, Stela divide os móveis, eletrodomésticos e presentes entre as casas dos pais e dos sogros. "Está tudo amontoado - tanto as coisas que a gente ganhou no casamento quanto as que a gente comprou, como fogão e geladeira."

O contrato de Stela já previa multa de 0,5% do valor do imóvel para cada mês de atraso. Mas ela diz que só soube disso ao procurar um advogado para acompanhar o caso. E agora estuda se vai processar a construtura depois de receber as chaves. "Se fosse pedir indenização, teria de ver sobre qual valor. Paguei R$ 95 mil no apartamento, mas, pelo que eu soube, agora já está valendo R$ 140 mil."

O atraso para receber o apartamento às vezes frustra tanto que o comprador até desiste de viver no imóvel adquirido. Morador do Ipiranga, na zona sul, o professor Fabiano Luis Guzon, de 30 anos, está vendendo o imóvel que comprou e onde nunca morou com a família.

A entrega também era para meados do ano passado. Mas a construtura passou a dar seguidas datas novas. Segundo o professor, primeiro alegaram falta de documentação; depois, falta de mão de obra para justificar os atrasos. A última data repassada foi 30 de setembro. E ele ainda está morando na casa da avó da mulher dele.

"Já estávamos morando lá quando nossa filha nasceu. Quando minha mulher ficou grávida, começamos a procurar um apartamento maior", conta.

O bairro escolhido foi o mesmo onde ele já morava. "Nossa segunda filha nasceu durante as obras. Com todos os atrasos, minha mulher ficou grávida novamente e minha terceira filha nasceu também. Quer dizer: foram duas filhas e o prédio não ficou pronto. Agora quero vender esse apartamento, receber o dinheiro e comprar um imóvel pronto, para onde eu possa me mudar com a família toda", diz o professor. "Não dá para esperar mais."

Fora do contrato. Além do atraso, Guzon diz ter visto o prédio, que está em fase de acabamento, e ficado irritado com o andar das obras. "A quadra é menor do que a prometida. É uma meia quadra. E os pisos instalados na cozinha não foram os que estavam no contrato."

O imóvel que o professor comprou já está quitado. Guzon diz que chegou a procurar um advogado para processar a construtora, mas foi orientado a esperar primeiro a entrega das chaves para depois pedir indenização na Justiça. "Não acho que essa nova multa mudaria alguma coisa", diz. "Não sei se faria a obra não atrasar." / A.F. e B.R.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.