Demora em receber corpos do IML causa tumulto em Pinheiros

Corpo de aposentada que morreu em casa ficou 14 horas no chão da cozinha: 'Senti um descaso total', diz filho

Gio Mendes e Caio do Valle, O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2011 | 00h00

Por volta das 20 horas, houve tumulto na frente do Serviço de Verificação de Óbitos (SVO), em Pinheiros, zona oeste. Um carro do Instituto Médico-Legal (IML) chegou com três corpos, mas os funcionários do órgão demoraram a aparecer para retirar os cadáveres. Por isso, os policiais civis do IML bloquearam a saída dos demais veículos funerários. Pessoas que aguardavam a liberação de corpos de parentes tentaram empurrar o veículo do IML. Houve bate-boca e, segundo testemunhas, a situação só foi controlada após a chegada da Corregedoria da Polícia Civil. Os três corpos foram entregues.

Cerca de 150 enterros são realizados na cidade diariamente. A Prefeitura não divulgou quais foram os cemitérios mais afetados nem o número de corpos que precisou ter o enterro postergado.

O corpo da mãe do projetista Ronaldo Silva de Souza, de 42 anos, por exemplo, ficou cerca de 14 horas no chão da cozinha de sua casa, no Campo Limpo, zona sul de São Paulo. Segundo ele, a família foi prejudicada pela greve do Serviço Funerário. Vítima de um ataque cardíaco, a aposentada Maria Ribau da Silva, de 70 anos, morreu em casa, na noite de segunda-feira. Seu corpo só foi recolhido ontem à tarde.

"E foi a Polícia Científica que foi lá buscá-la. Senti um descaso total. A gente paga impostos e, quando precisa, não tem nada. Minha mãe caída durante tanto tempo no chão de cerâmica foi a pior coisa que vi na vida", disse Souza. Aguardando a liberação do corpo no Serviço de Verificação de Óbitos (SVO), ele pretendia sepultar a mãe hoje.

"Ficamos reféns". O segurança Izaías Ferreira da Silva, de 43 anos, disse que não estava conseguindo contratar uma empresa particular para trasladar o corpo do pai, morto anteontem, para o Cemitério Parque das Cerejeiras, no Jardim Ângela, na zona sul. "Se permitissem isso, a gente conseguiria fazer o enterro hoje (ontem), mas só a Prefeitura pode realizar esse serviço. É um absurdo, porque ficamos reféns de paralisações como essa." Ele estava no SVO desde as 8h, e às 17h não sabia quando o corpo de seu pai seria levado ao cemitério.

PARA LEMBRAR

Junho teve 24h de paralisação

Funcionários do Serviço Funerário do Município já haviam feito uma paralisação de 24 horas no dia 22 de junho deste ano. Durante a greve, a Prefeitura deslocou guardas-civis para fazer parte do traslado de corpos até os cemitérios. A paralisação só terminou depois que a Prefeitura se comprometeu a criar um grupo para discutir as reivindicações dos servidores. Os resultados seriam apresentados aos trabalhadores no fim de agosto.

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