Demolição de 'Minhocão do Rio', causa expectativa

Aposta é que derrubada do viaduto da Perimetral revitalize região histórica, aumente o público de museus e conecte o centro à Baía da Guanabara

ROBERTA PENNAFORT / RIO, O Estado de S.Paulo

29 Dezembro 2011 | 03h01

Ainda que seja só para 2015, e chegue com uma década de atraso, a promessa, feita pela Prefeitura um mês atrás, de demolição do viaduto da Perimetral, no centro do Rio, já causa grande expectativa. Nos museus da Praça 15 e em seu entorno, estima-se que a liberação do acesso e da vista vá trazer os cariocas de volta à região.

Da praça ao bairro do Caju, na zona portuária, o elevado faz a ligação da Ponte Rio-Niterói ao Aterro do Flamengo, um percurso de 7 km. Finalizado durante a ditadura militar, há quatro décadas enfeia degrada a paisagem.

Surgiu como solução para o trânsito de uma cidade em crescimento, voltada aos deslocamentos de carro, lembra o presidente do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB), Sérgio Magalhães. O patrimônio histórico - ali estão prédios que contam a história do Rio e do Brasil desde antes do Império - foi preterido.

Sem a Perimetral, o que está à sombra ressurgirá e o centro ficará mais conectado às águas da Baía de Guanabara. Os mais de 40 mil veículos do tráfego diário passarão por um túnel, ainda a ser construído, e pelo mergulhão que já existe.

"A Perimetral reflete a visão da época. Destruiu-se a Praça 15, o núcleo da cidade, porta de entrada do Brasil durante séculos. O passivo ambiental e urbanístico foi enorme", aponta Magalhães.

Os cariocas não foram consultados sobre sua construção. Tampouco são agora sobre sua destruição. Parte da população se coloca contra a mudança, por medo de um nó no já complicado trânsito do centro.

"As pessoas sempre têm medo do novo, mas Paris não seria Paris sem a intervenção violenta do Haussmann (cuja reforma urbana modificou a cidade no século 19). Nunca houve um projeto real e viável como agora", diz Ricardo Villar, conselheiro do Instituto dos IAB.

Mudança. A vista livre vai valorizar três belas construções que serviram de pavilhões da exposição comemorativa do centenário da independência, em 1922, e abrigam museus: o Histórico Nacional (MHN), o da Imagem e do Som (MIS) e o da Saúde. Recém-reformado, o Paço Imperial, do século 18, palco do Dia do Fico, de d. Pedro I e onde a Princesa Isabel assinou a Lei Áurea, ganhará mais destaque. "Teremos aumento na visitação, que já é boa (chega a 100 mil pessoas por mês, dependendo da exposição). Somos o prédio histórico mais importante do Brasil e estaremos mais conectados ao Convento do Carmo, o Arco do Teles, a Catedral da Sé. O centro ficará menos abafado. O Rio é muito tímido em relação a seu litoral, à exceção da zona sul", acredita Lauro Cavalcanti, arquiteto e diretor do Paço. "O resultado vai ser bom para todos, pois museus vão ficar mais visíveis. Os prédios não são muito altos", lembra Rosa Maria Araujo, presidente do MIS.

A possibilidade de melhorar o acesso a pé ao MHN é comemorada pela diretora, Vera Tostes. "Seria um espetáculo que as pessoas pudessem caminhar entre o MHN, o MIS, o Paço, o Instituto Cultural da Aeronáutica, o Centro Cultural da Saúde e o restaurante Albamar, chegando ao moderno conjunto do Tribunal de Justiça e à Ladeira da Misericórdia. Seriam vestígios da fundação da cidade até o século 20."

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