Democracia sem limites

Maiorias não precisam ser homenageadas. Mas, do alto de sua hegemonia social, elas precisam sempre atualizar a assimilação de formas de convivência pacífica e segura com as minorias à sua volta. É por isso que o reconhecimento institucional de minorias funciona como mecanismo que protege e harmoniza a convivência com as maiorias.

José Police Neto, O Estado de S.Paulo

05 de agosto de 2011 | 00h00

Particularmente, não concordo com projetos que fixam um dia para festejar um tema, uma conquista ou um modo de ser. Criar um "dia" disso ou daquilo pode parecer desnecessário a alguns e, por isso, quase nunca significa solução que traga benefícios concretos à vida da população ou propicie parâmetros de melhor convivência.

O frisson que cercou, nos últimos dias, a aprovação do projeto que sugere a criação do Dia do Orgulho Hétero, do vereador Carlos Apolinário, não se justifica, portanto. O debate em torno dele é acessório e só ganhou volume por ter sido turbinado com argumentos emocionais, colocados por viés reducionista.

Sua aprovação não traz melhorias concretas para a vida em sociedade nem ajuda a reduzir tensões que circundam o debate sobre homofobia, um dos sentimentos mais abjetos do nosso tempo. Melhor seria debater e deliberar sobre o projeto que penaliza estabelecimentos com práticas homofóbicas, enviado pelo prefeito Gilberto Kassab e na fila para votação da Câmara.

A Câmara Municipal de São Paulo, no entanto, não foge de temas polêmicos e será sempre palco de debates que interessem à sociedade. A ela não compete filtrar as discussões postas por seus membros. Não sou a favor do Dia do Orgulho Hétero, mas sempre defenderei a liberdade de manifestação e expressão dos que o apoiam.

É PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DE SP

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