Demissão de Pires ganha força na base aliada do governo

Nomes como de José Genoino e Aloizio Mercadante não têm força entre militares

Eugênia Lopes, Estadão

20 de julho de 2007 | 22h08

Deputados da base aliada e de oposição que integram a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Apagão Aéreo pediram nesta sexta-feira, 20, a demissão do ministro da Defesa, Waldir Pires. Na avaliação dos parlamentares, a tragédia com o avião da TAM inviabilizou de forma definitiva a permanência do ministro no cargo. Desde o acidente com o Boeing da Gol, em 29 de setembro, a queda de Waldir Pires é dada como certa. Veja também: Lista de vítimas do acidente do vôo 3054  O local do acidente  Quem são as vítimas do vôo 3054  Histórias das vítimas do acidente da TAM  Galeria de fotos  Opine: o que deve ser feito com Congonhas?  Cronologia da crise aérea  Acidentes em Congonhas  Vídeos do acidente  Tudo sobre o acidente do vôo 3054  "Até para preservar a história do ministro Waldir Pires, é melhor substituí-lo", afirmou o deputado Pepe Vargas (PT-RS). "O presidente Lula tem de demitir o ministro Waldir Pires imediatamente. Quantos acidentes mais vamos ter de esperar para que o presidente tome essa atitude?", perguntou o deputado Carlos Willian (PTC-MG), um dos integrantes da tropa de choque do governo na CPI. "O presidente Lula tem de pôr o Waldir Pires imediatamente na rua", afirmou o deputado Wladimir Costa (PMDB-PA).  O coro dos descontentes aumentou com a divulgação pelo PSDB e pelo PPS de notas defendendo a demissão do ministro da Defesa. Há três semanas, a CPI do Apagão Aéreo do Senado aprovou relatório preliminar criticando a gestão do ministro Waldir Pires. O relator da comissão, senador Demóstenes Torres (DEM-GO), disse que o ministro da Defesa é inoperante e incompetente.  A provável saída de Waldir Pires do cargo está deixando as Forças Armadas em polvorosa. Os oficiais do Exército, Marinha e Aeronáutica não param de especular quem será o substituto de Waldir Pires. Na bolsa de apostas dos militares, os nomes mais cotados são do ex-presidente da Câmara Aldo Rebelo (PC do B-SP) e dos ex-deputados Paulo Delgado (PT-MG) e Antonio Feijão (PSDB-AP).  Outro nome que encontra guarida junto aos oficiais das Forças Armadas é o do atual ministro do Tribunal de Contas da União, Aroldo Cedraz (DEM-BA), considerado pelos militares um expert em assuntos das Forças Armadas.  Na avaliação de oficiais das três Forças, o ministério da Defesa terá de ser ocupado por "uma pessoa com articulação política e bom trânsito" junto aos militares. Os oficiais não querem mais também "figuras decorativas" para comandar da Defesa. Daí a resistência ao nome do vice-presidente José Alencar, que poderia vir novamente a ocupar o cargo temporariamente.  Nomes como do deputado José Genoino (PT-SP) e do senador Aloizio Mercadante (PT-SP) não têm respaldo junto aos militares. Genoino caiu em desgraça nas Forças Armadas, depois de seu envolvimento com o escândalo do "mensalão" - denúncia de que o PT pagaria propina para parlamentares aliados votarem a favor de propostas de interesse do Palácio do Planalto. Já Mercadante é muito identificado com o Exército - o pai e o irmão do senador são oficiais da Força.

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