Demanda cresceu, mas infraestrutura continua a mesma

Cenário: Nataly Costa

O Estado de S.Paulo

29 Dezembro 2011 | 03h02

Cada metro quadrado de aeroporto no País denuncia aquilo que até o passageiro mais inexperiente já sentiu: pegar avião cansa, e não é pela viagem em si. As 700 mil pessoas que colocaram as mãos em um novo passaporte são somente uma parte dos 163 milhões de passageiros que, de janeiro a novembro em todo o Brasil, se esbarraram, se enfileiraram, correram de um portão para outro, esperaram no chão pelo embarque, no ar pela autorização de pouso, na poltrona por uma vaga no pátio de aeronaves, de pé por uma mala na esteira. Da emissão de documentos à oferta de rotas entre cidades, tudo na aviação do País cresce. Menos os lugares em terra firme onde ela é praticada.

Cumbica, o maior aeroporto do Brasil, na Grande São Paulo, é o que melhor resume o atraso. Inaugurado na década de 1980, era considerado uma construção "faraônica" do então governador Paulo Maluf. As décadas passaram e o aeroporto passou a ser pequeno para as 27 milhões de pessoas que circulam lá por ano. Até agora, obras somente paliativas deram uma afrouxada no aperto. Conforto, conforto mesmo, está longe de acontecer.

O que deveria ser rápido e prático, como voar, agora parece corrida de obstáculos. Chegar ao aeroporto é o primeiro desafio - é longe, não existe um meio rápido e confiável de transporte público. Totens de autoatendimento, criados para solucionar filas de check-in, também têm fila. Em Cumbica, uma companhia aérea internacional tem até um aviso perto do balcão: "Não perca seu voo. Por causa das longas filas na imigração, efetue o check-in e prossiga imediatamente para o embarque". Ou seja, se você quer mesmo inaugurar passaporte novo, tem de correr.

Muitos saltos e desvios depois, quando finalmente se está no avião, surpresa: outros estão na fila para decolar. Agora não é só mais o passageiro daquele voo que sofre, mas o piloto, a comissária, o controlador de voo e, principalmente, o passageiro que está esperando aquele mesmo avião na outra cidade. As autoridades se movem a passos lentos, mas até agora não houve plano de contingência para evitar caos aéreo de fim de ano que evitasse o caos do dia a dia.

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