Delegados são detidos por sumir com lista de propina

Dois delegados da Polícia Civil foram presos ontem em flagrante sob acusação de sumir com uma lista de propina da máfia dos caça-níqueis. Nela estariam registrados pagamentos que supostamente seriam feitos toda semana para a delegacia que eles comandavam: o 42.º Distrito Policial, no Parque São Lucas, na zona leste. Os policiais negam.

Marcelo Godoy, O Estado de S.Paulo

04 Fevereiro 2011 | 00h00

Elton Martinelli, delegado titular do distrito, e Flávio Afonso da Costa, seu assistente, teriam aproveitado um descuido dos corregedores. Estes já haviam detido dois investigadores do 42.º DP, quando deixaram a lista na mesa do titular da delegacia "por 20 segundos" para tentar deter um terceiro investigador no corredor do distrito. Quando voltaram para a sala do delegado titular, a lista havia sumido.

A Corregedoria passou a investigar o caso depois de receber uma denúncia ontem de manhã. Segundo a informação recebida pela Divisão de Operações Policiais (DOP), da Corregedoria, três investigadores da delegacia seriam responsáveis por recolher a propina toda sexta-feira. Mas teriam resolvido apanhar o dinheiro um dia antes porque policiais do distrito teriam sido transferidos da delegacia para o Deic. Por causa disso, a propina teria de ser repartida entre os policiais um dia antes.

Os corregedores foram verificar a denúncia e encontraram um policial com dois empresários na frente da delegacia. Pouco depois, surpreenderam um segundo investigador estacionando seu Jetta no pátio do distrito. No carro havia uma pochete onde foi achada a lista. Segundo os corregedores, o investigador admitiu ser o chamado "recolha" (responsável por apanhar a propina) para a delegacia.

A lista trazia os nomes de comerciantes do bairro e anotações sobre pagamentos no valor total de R$ 56 mil. Os corregedores apanharam os dois investigadores e a lista, entraram no prédio da delegacia e foram até a sala do delegado titular. Foi quando apareceu o terceiro investigador, também suspeito. Os corregedores saíram da sala do delegado para tentar deter o policial.

Quando voltaram, a lista havia sumido. Os dois investigadores detidos acabaram sendo ouvidos como testemunhas, enquanto os delegados foram autuados em flagrante. Na corregedoria, os policiais - delegados e investigadores - negaram tudo, até mesmo a existência da lista.

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