Delegados do interior se mobilizam contra demissão de colega

Policiais acreditam que medida foi retaliação à greve; SSP diz que exoneração foi 'decisão administrativa'

Brás Henrique, O Estado de S.Paulo

24 de setembro de 2008 | 18h59

A exoneração de João Osinski Júnior do cargo de delegado seccional de Barretos, na região de Ribeirão Preto, pela Secretaria de Segurança Pública (SSP) do Estado, deixou seus colegas indignados nesta quarta-feira, 24. Os delegados entendem que o ato foi uma retaliação à greve dos policiais civis e estão solidários ao ex-seccional. "Não entendemos porque isso ocorreu apenas com ele", disse o delegado do 1.º Distrito Policial de Barretos, Antonio Alício Simões Júnior.   Veja também: Ação contra líder de greve abre crise na Polícia Civil de SP   Um documento de solidariedade, defendendo qualquer policial demitido na região, já tinha sido assinado por 16 delegados, que apóiam a paralisação, durante uma reunião realizada no domingo. "Essa carta que fizemos no domingo é um pacto nosso em solidariedade a qualquer colega que sofresse algo, pois a greve está respaldada numa liminar", disse Simões Júnior, que preside o Sindicato dos Policiais Civis de Barretos e é diretor da Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Adpesp).   "Todos os delegados daqui entendem que essa destituição dele (Osinski) do cargo ocorreu em função da greve", emendou o delegado. O documento de solidariedade não foi enviado a ninguém. Só foi fixado na delegacia. Assinaram os 12 delegados barretenses e quatro das sub-regiões de Colômbia, Guaíra, Olímpia e Guaraci.   A assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança Pública (SSP) do Estado informou que a Delegacia Geral de Polícia tomou "decisão administrativa" na exoneração de Osinski Júnior (que ainda não tem destino e função certos) da seccional barretense. Odacir Cesário da Silva, que foi seccional de São Carlos e estava no 2.º DP de Ribeirão Preto, respondeu nesta quarta pela seccional de Barretos, onde será efetivado.   A greve da Polícia Civil continua na região de Ribeirão Preto, com 100% de adesão, segundo a presidente do Sindicato dos Policiais Civis da Região (Sinpol), Maria Alzira da Silva Corrêa. "Estamos satisfeitos com a união da categoria e entristecidos com a greve, que é um grito de socorro dos policiais, que precisam ser valorizados", comentou ela. E acrescenta que todas as ocorrências "estritamente criminais", com urgência e emergência, estão sendo atendidas. "Nos outros casos, nas delegacias os policiais estão orientando a população", explicou Maria Alzira. A região tem cerca de 2.100 policiais civis em 93 cidades.   Em Ribeirão Preto, o atendimento na Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran) está atendendo apenas os serviços de renovação de Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e de registros de documentos de veículos novos e dos que estão vencendo (final da placa 7). Os donos dos escritórios de despachantes já estão preocupados com o acúmulo de documentos que não estão sendo expedidos no momento.

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