Delegados de SP fazem operação padrão em protesto contra funções extras

Categoria quer reestruturação da carreira e modernização do atendimento à população

MAÍRA TEIXEIRA, Agencia Estado

23 Março 2010 | 20h16

Os delegados de Polícia de São Paulo trabalham em operação padrão desde o meio-dia desta terça-feira, 23. Segundo a Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Adpesp), os delegados de todo estado realizam apenas as funções atribuídas ao cargo e deixarão de realizar atividades incorporadas ao cotidiano, mas da natureza de cargos, como de escrivão, motorista, carcereiro e outras funções. A categoria quer a reestruturação da carreira e modernização do atendimento à população.

De acordo com a associação, o salário de um delegado em início de carreira é de cerca de R$ 3.600. Já um delegado em fase final de carreira tem vencimento variável entre R$ 7 mil e R$ 8 mil. Segundo o sindicato, há no Estado 3.443 cargos oficiais, 3.200 ocupados.

"Decidimos que faríamos isso, em assembleia, no dia 8 de março, comunicamos ao governo e apresentamos proposta objetiva para promover um melhor atendimento à população e modernizar a Polícia Civil. O governo não se manifestou. Agora, vamos exercer basicamente nossa função, não vamos mais fazer o que não está entre as atribuições do cargo", ressalta Marilda Pansonato Pinheiro, presidente da Adpesp.

Marilda afirma que os delegados vêm, há anos, cumprindo funções extras. "Por conta disso o Estado se locupletou. Fazemos isso para atender à população, que sofre com desaparelhamento da polícia e um atendimento que poderia ser melhor."

 

A Secretaria de Segurança Pública (SSP) divulgou comunicado sobre a operação padrão dos delegados. Em nota, a pasta afirma que o governo do Estado tem se empenhado em melhorar as condições de trabalho e remuneração dos policiais de todas as categorias e que a população não deve ser afetada pela iniciativa da encabeçada pela Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Adpesp).

 

A SSP informa que permanece, "como sempre esteve, aberta ao diálogo com as entidades representativas dos policiais paulistas e que, como anunciado no dia 10 de março, o Plano de Reestruturação das Carreiras da Polícia Civil, elaborado pela Delegacia Geral de Polícia e aprovado pela Secretaria da Segurança Pública, cumpre trâmite legal pelas secretarias estaduais envolvidas na questão."

 

Notícia atualizada às 22h34 para acréscimo de informações

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