Delegados da PF apóiam greve de policiais civis de São Paulo

Associação nacional divulga nota destinada ao governador José Serra e destaca a defasagem salarial dos policiais

Solange Spigliatti, do estadao.com.br,

28 de outubro de 2008 | 13h52

Em carta enviada nesta terça-feira, 28, ao governador de São Paulo, José Serra, a Associação Nacional de Delegados de Polícia Federal (ADPF) manifesta apoio à greve dos policiais civis do Estado. Na nota, a ADPF destaca a defasagem salarial dos policiais paulistas e pede que seja encontrada uma solução para a corporação, "que apesar de trabalhar no Estado mais rico do país, recebe salário muito abaixo dos demais". A carta é assinada pelo presidente da ADPF, Sandro Torres Avelar.   Veja também: Governo quer pauta única para negociar com a Polícia Civil Em greve, Polícia Civil amplia pressão sobre governo  Pela minha vontade, greve termina amanhã, afirma Serra Entrevista exclusiva com José Serra  Galeria de fotos do conflito no Morumbi Policiais civis e militares entram em confronto em SP; assista   Todas as notícias sobre a greve        Leia a íntegra do documento.   "Senhor Governador,   Com muita tristeza acompanhamos o episódio do conflito entre os colegas das polícias Civil e Militar paulistas, e ouvimos as declarações de Vossa Excelência afirmando ser um movimento de poucos e com finalidade político-partidária, visando influenciar o segundo turno das eleições. Então, ultrapassado o período eleitoral, sentimo-nos mais à vontade para, respeitosamente, ponderar que a imensa defasagem salarial dos policiais paulistas não é retórica, mas real, consubstanciada em números alarmantes. Deveras, os policiais civis do Estado mais rico da nação recebem dos menores salários, o equivalente, a título ilustrativo, a menos da metade de um colega do Piauí, onde o custo de vida é muito mais baixo.   É também injusto e injustificável, Excelência, que um delegado da polícia paulista, ao fim de sua jornada mensal de trabalho, com todos os riscos inerentes à profissão, receba cerca de ? (um quarto) dos proventos percebidos por um membro do Ministério Público, com idêntica formação jurídica e componente do mesmo sistema persecutório criminal.   Essas diferenças abismais entre carreiras de igual importância desequilibram a balança do Estado e causam grave prejuízo à sociedade, eis que a valorização do profissional da segurança pública, em qualquer lugar do mundo, é elemento imprescindível para a redução da violência e da criminalidade.   Assim, certos da sensibilidade de Vossa Excelência, cuja carreira política é marcada pela competência na gestão de cada setor público que administrou, rogamos especial atenção ao justo pleito dos nossos colegas, os policiais civis do Estado de São Paulo, resgatando-se a dignidade salarial desses profissionais que, não raras vezes, perdem a vida no combate à criminalidade que preocupa e aflige a todos e cada um de nós.   Respeitosamente, Sandro Torres Avelar Presidente da ADPF

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