Marcelo Godoy/Estadão
Marcelo Godoy/Estadão

Delegado sugere mudar lei e acelerar apreensões de veículos

Hoje, a polícia tem de esperar decisão judicial para poder ir atrás do veículo e processo pode levar até 2 anos

Marcelo Godoy, O Estado de S. Paulo

26 Março 2017 | 10h17

O diretor do Departamento de Investigações Criminais (Deic), delegado Emydio Machado Neto, defendeu a alteração da legislação sobre os carros “NP”, o “Ninguém Paga”. Para ele, é preciso que a polícia tenha a possibilidade de agir mais rapidamente para recuperar os veículos – atualmente ela tem de esperar decisão judicial para poder aprender o veículo.

“Esse instrumento está sendo usado pelo crime”, afirmou. Segundo ele, golpistas usam documentos falsos ou laranjas para comprar o veículo financiado. “Pagam uma parcela e depois vendem. Quando o banco vai atrás do inadimplente, descobre a farsa.” Não existem números sobre o tamanho do golpe, pois ele se esconde dentro da taxa de inadimplência das instituições financeiras das montadoras – esta, cresceu de 3,9% em 2012 para 4,6% em 2016.

Para o delegado Valter Abreu, titular da Divisão de Roubo e Furto de Veículos e Cargas (Divercar) da Polícia Civil de São Paulo, além dos carros financiados com documentos falsos, os bandidos também vendem carros roubados com documentos e laudos falsos.

“A financeira não tem como saber se é vítima de estelionato ou se está diante de um inadimplente. Para recuperar o veículo, ela entra com um pedido de busca e apreensão na Justiça, na área cível. Se não acha, ela leva de um a dois anos para procurar a polícia.”

Estelionato. Além do NP e dos veículos roubados e com licenciamento atrasado em razão de débitos, os carros “só para rodar” podem ter ainda uma outra fonte: o golpe da revenda de veículos. “Há lojas que vendem carros deixados em consignação, não pagam quem deixou lá e não passam o documento para quem comprou”, afirmou Abreu. Foi o que aconteceu em uma loja do Bom Retiro que fez mais de uma centena de vítimas em janeiro. A polícia pediu a prisão preventiva do comerciante, que até agora está em liberdade. 

Cadastrado. Para quem quer comprar carro usado e não pretende se envolver em rolo, a saída é comprar carros de comerciantes estabelecidos e que sejam cadastradas em bancos que financiam os veículos, passar o veículo por uma perícia de sua confiança, jamais comprar um automóvel de terceiro e desconfiar dos carros colocados à venda por um preço bem abaixo do mercado. Esses são alguns conselhos da Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto) e do Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran-SP) para quem vai comprar um carro e não quer ter problemas. "Existem cerca de 48 mil lojas de carros no País e cerca de 22 mil delas estão cadastradas em bancos, o que funciona como uma garantia paras o consumidor", afirmou o presidente da Fenauto, Idílio dos Santos, de 71 anos. 

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