Nilton Fukuda/AE
Nilton Fukuda/AE

Delegado que fez investigação paralela de roubo a banco da Paulista é afastado

Suspeita da Secretaria de Segurança é de que Ruy Ferraz Fontes, do 69º DP, na zona leste, atendia de forma privilegiada casos do Itaú

Marcelo Godoy e William Cardoso, O Estado de S.Paulo

16 de setembro de 2011 | 00h00

O secretário da Segurança Pública de São Paulo, Antonio Ferreira Pinto, e o delegado-geral de polícia, Marcos Carneiro Lima, decidiram afastar o delegado Ruy Ferraz Fontes do 69.º DP (Cohab Teotônio Vilela), na zona leste da capital. O motivo são as suspeitas de que ele estaria usando o DP para atender de forma privilegiada ocorrências envolvendo o Banco Itaú. Fontes nega.

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Pelo menos oito casos em que o banco foi vítima e ocorreram em bairros fora da área do 69.º DP foram investigados pelo distrito desde o fim do ano passado. Entre eles está o caso do roubo milionário de 138 cofres particulares da agência do Itaú na Avenida Paulista, nos dias 27 e 28.

Fontes recebeu, da segurança do banco, cópias das fotos dos suspeitos do crime antes mesmo de elas serem encaminhadas para o Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic), responsável oficialmente pela investigação.

Crise. O desencontro dentro da polícia fez o inquérito oficial demorar oito dias para ser aberto, permitindo uma fuga tranquila aos assaltantes. A descoberta de que Fontes manteria um inquérito paralelo sobre o caso ocorreu na segunda-feira e abriu uma crise na Polícia Civil.

Ferreira Pinto e Carneiro Lima determinaram a abertura de duas investigações. A primeira vai verificar como foi registrado o roubo milionário no 78.º DP (Jardins) e como esse distrito repassou a informação para o Deic. A segunda apuração servirá para verificar se o delegado Fontes atendia de forma privilegiada o Banco Itaú em sua delegacia.

Na tarde de ontem, o secretário esteve reunido com policiais na sede do Deic para se informar a respeito do andamento das investigações. Na última semana, antes de saber da atuação paralela de Fontes, o diretor do departamento, Nelson Silveira Guimarães, chegou a assumir por e-mail a culpa pela atraso no início das apurações.

Resposta. O Itaú afirma que todos os oito BOs registrados no 69.º DP se referem a fraude e estelionato. São casos que a polícia estava investigando e realizou uma prisão em flagrante. Informa também que nenhum assalto a agências foi registrado naquela delegacia.

Apenas em relação a assalto, estelionato e arrombamento na Grande São Paulo, o Itaú protocolou 129 BOs entre dezembro de 2010 e junho de 2011. O banco diz que, no total, foram protocolados 673 boletins de ocorrência em 2010 na Região Metropolitana.

Sobre o caso do dia 28, cujo BO foi lavrado no 78.º DP, o Itaú informa que a comunicação com as autoridades se deu imediatamente após a descoberta do fato e desde o início tem mantido discrição para preservar o sigilo dos clientes, atendidos individual e pessoalmente sempre que possível. Fontes não foi localizado para comentar o seu afastamento.

CRONOLOGIA

27 de agosto

Assaltantes entram no banco às 23h50 e roubam 138 cofres particulares. Eles saem às 9h40 do dia seguinte.

5 de setembro

O Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic) abre inquérito para investigar o caso.

6 de setembro

Delegado Ruy Ferraz Fontes, do 69.º DP, recebe imagens de câmeras de segurança que só seriam passadas ao Deic no dia seguinte.

9 de setembro

Deic identifica dois ladrões por meio das imagens, mas não divulga os nomes.

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