Delegado ouve primeira testemunha do assassinato do cabo Bruno

Segundo genro do ex-PM, bandidos não falaram nada durante ação e miraram apenas na vítima

Felipe Tau, O Estado S. Paulo

27 Setembro 2012 | 15h34

SÃO PAULO - Um dos dois parentes que estavam com Florisvaldo de Oliveira, o cabo Bruno, quando ele foi assassinado na noite de quarta-feira foi ouvido às 11h desta quinta, 25, pelo delegado Vicente Lagioto, titular do 1º DP de Pindamonhangaba, cidade onde o crime aconteceu. O ex- Policial Militar, condenado pela execução de 50 pessoas na década de 1980 na capital paulista, havia saído da prisão há pouco mais de um mês e foi executado a tiros na porta de casa, por volta das 23h45.

O primeiro a prestar depoimento foi o genro de Oliveira, um metalúrgico de 26 anos. Ele deu poucas informações sobre o caso e disse que os bandidos não falaram nem uma palavra durante a ação, que foi rápida. O metalúrgico, a mulher do cabo - Dayse da silva Oliveria, de 45 anos - e a vítima tinham acabado de voltar de um culto religioso na cidade de Aparecida quando ocorreu a execução - o ex-PM tinha se tornado pastor evangélico depois de deixar a cadeia.

O genro era quem conduzia o veículo em que a família retornou do culto e relatou que os tiros começaram assim que estacionou o Astra prata em frente à casa do cabo Bruno, no bairro de Quadra Aberta. A testemunha não tinha percebido nada estranho na rua até então e não notou a aproximação dos suspeitos. Só viu os homens correndo à pé de longe e não conseguiu sequer fazer um retrato-falado, disse o delegado. "Parece mesmo execução. Eles não falaram nada e dispararam apenas contra o cabo", afirmou Lagioto.

Na rua do crime não foram encontradas câmeras de segurança, o que dificulta as investigações, disse o titular. "Não há nenhuma informação sobre autoria, nem se a dupla é da cidade. Os investigadores estão tentando fazer um levantamento na rua e vamos ver se a perícia consegue colher alguma impressão digital", afirmou. Foram recolhidas 18 cápsulas deflagradas ao lado do corpo, dos calibres .45 e 380 mm. Uma delas atingiu o carro e apenas a perícia irá determinar quantas atingiram o cabo, que morreu no local.

Ainda segundo Lagioto, familiares não relataram qualquer tipo de ameaça ao ex-PM desde que saiu da penitenciária Doutor José Augusto César Salgado, a P-2, de Tremembé no dia 24 de agosto. A mulher do cabo ainda será ouvida.

Criminalidade. O delegado contou que não sabia que o cabo Bruno morava na cidade e mostrou-se surpreso com a violência do episódio. "O bairro onde o ele morreu não tem homicídios há pelo menos dois anos. No meu distrito com um todo foram dois homicídios este ano, o último há seis meses". De acordo com o titular, o 1º DP da cidade é responsável por uma área com cerca de 80 mil habitantes.

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