Delegado mata mulher em Perdizes, na zona oeste de SP

Homem suicidou logo em seguida; de acordo com família, ele passava por depressão profunda

Luiz Fernando Toledo, O Estado de S. Paulo

20 Agosto 2017 | 16h02

Atualizado às 20h55

SÃO PAULO - Um delegado assassinou a mulher, juíza, em Perdizes, na zona oeste de São Paulo na madrugada deste domingo, 20, e se matou logo depois. O crime foi na Rua Tucuna, em condomínio de alto padrão, onde moravam. Segundo a família, ele tinha depressão. 

Cristian Sant’ana Lanfredi, de 42 anos, era delegado, mas atualmente estava afastado da polícia por motivos médicos, e trabalhava como assessor parlamentar na Assembleia Legislativa paulista. A vítima é a magistrada Cláudia Zerati, de 46 anos, que atuava na 2.ª Vara da Justiça do Trabalho de Franco da Rocha, na Grande São Paulo. Eles têm uma filha, de seis anos, que não estava no local no momento do crime. Lanfredi ainda tem outra filha mais velha, de um relacionamento anterior. 

A criança foi deixada por volta das 4h30 da manhã, pouco antes do crime, com o padrinho, que mora no mesmo edifício em que o casal. Lanfredi disse ao vizinho que havia se desentendido com a mulher e que ela havia saído de casa. Já a menina disse ao padrinho que os pais brigaram porque Lanfredi não havia tomado seu remédio. Quando o vizinho e o porteiro entraram no apartamento, encontraram os dois mortos sobre a cama. Eles chamaram a Polícia Militar por volta das 6 horas da manhã. 

Cláudia foi atingida por um tiro na nuca, que atravessou seu crânio até a testa. Já no marido, o buraco da bala estava na têmpora direita. O revólver, de calibre 38, estava sobre o corpo do homem. Segundo vizinhos disseram à polícia, ele já havia tentado suicídio neste ano.  

 


Ao Estado, Cristiano Lanfredi, irmão do autor do crime, contou que o delegado passava por “depressão profunda”. Segundo Cristiano, ele “estava sob tratamento médico e afastado do serviço desde o ano passado, depois que a mãe morreu.”

Um amigo da família, que pediu para não ser identificado, disse ter ficado “muito surpreso” com a notícia. “Eles tinham um ótimo relacionamento. Foi um baque saber disso. A família está toda traumatizada”, comentou. 

Outro parente do Lanfredi, que também pediu anonimato, destacou que a família está arrasada. “Estão muito abalados. A ficha não caiu ainda.” Nas redes sociais de Lanfredi, há muitas fotos da família em momentos felizes, abraçados ou em viagens. Em nota, a Polícia Civil informou que Lanfredi havia se licenciado da instituição para exercer cargo comissionado no Legislativo.

Investigação. O caso foi registrado como homicídio qualificado no 91.º Distrito Policial (Vila Leopoldina) e será apurado pelo 23.º DP (Perdizes). Os celulares do casal foram apreendidos e as conversas serão analisadas na investigação. 

O Tribunal Regional do Trabalho da 2.ª Região, em seu site, lamentou ontem a morte de Cláudia e comunicou que o expediente ficará suspenso hoje no Fórum de Franco da Rocha. 

De acordo com os registros estatísticos da Secretaria da Segurança Pública paulista, 55 mulheres já foram assassinadas entre janeiro e julho deste ano em todo o Estado. O número é 10% maior do que o registrado em igual período no ano passado. Dez dessas vítimas de homicídio moravam na capital paulista.

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