Delegado é assassinado na Marginal

Paulo Pereira de Paula, de 49 anos, foi baleado perto da Ponte do Limão; para polícia, principal hipótese é de tentativa de roubo de moto

ADRIANA FERRAZ , BRUNO PAES MANSO, O Estado de S.Paulo

06 de agosto de 2012 | 03h04

O delegado Paulo Pereira de Paula, de 49 anos, foi executado com dois tiros por volta das 21h de sábado na pista local da Marginal do Tietê, perto da Ponte do Limão, na zona norte da capital. A polícia fala em tentativa de roubo, mas não descarta a hipótese de execução. Integrante da Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) de Guarulhos, na Grande São Paulo, o policial foi baleado no abdome e no rosto e morreu no local.

Pereira de Paula pilotava uma Honda CB 1000R preta, avaliada em R$ 30 mil, e seguia no sentido Ayrton Senna da via quando foi abordado. De acordo com testemunhas, duas outras motos emparelharam e ocupantes anunciaram o assalto. Instantes depois, atingiram o delegado e fugiram sem levar nada. A carteira e o rádio foram encontrados nos bolsos de sua jaqueta, onde também estava guardada sua arma, o que supostamente indica que não houve tempo para reação.

Segundo o delegado seccional de polícia de Guarulhos, Marco Antônio Pereira Novaes de Paula Santos, que esteve no local e é primo de primeiro grau da vítima, o delegado foi obrigado a parar no acostamento. Na avaliação dele, os bandidos provavelmente perceberam a arma do policial que estava na cintura e agiram rapidamente, sem que houvesse tempo para o delegado reagir. "Ele foi obrigado a parar na Marginal. A moto estava inteira. O problema deve ter ocorrido na hora da abordagem, quando perceberam a arma debaixo da jaqueta. Mas essa é ainda uma hipótese, que só será confirmada depois que os criminosos forem presos", disse.

Segundo informações colhidas pela Secretaria de Estado da Segurança Pública, pelo menos quatro pessoas participaram da ação. O grupo ocupava uma Yamaha Fazer 250 e uma Honda CB 300R, após o crime, teria entrado no estacionamento de uma unidade da rede de lojas de materiais de construção Dicico, que fica na frente do local dos disparos. Imagens do circuito interno de segurança já foram solicitadas pela polícia e podem ajudar na identificação do bando.

Várias viaturas da Polícia Civil e carros particulares de policiais civis que conheciam o delegado se deslocaram para o endereço onde ocorreu o crime. A vítima chegou a ser atendida pela médica de uma ambulância particular que passava pelo local, mas não resistiu. Duas faixas da pista local da Marginal ficaram bloqueadas até o fim da noite de sábado.

Investigação. O caso será investigado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que quer descobrir se a morte do delegado foi tentativa de roubo seguida de morte ou se foi planejada. Desde o início do ano, 50 policiais militares já foram mortos. Pereira de Paula foi enterrado ontem em Ribeirão Preto, no interior do Estado, onde nasceu e cresceu.

O Ministério Público Estadual (MPE) também vai designar um promotor para acompanhar as investigações policiais desde o começo do inquérito.

Segundo o delegado seccional de Guarulhos, apesar de seu primo ser um policial atuante, envolvido na investigação de diversos casos relevantes (veja abaixo), não há nada que indique que Pereira de Paula vinha sofrendo ameaças ou correndo risco de vida atualmente.

O seccional também não acredita que o delegado tenha sido vítima de execução premeditada por parte de integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), como ocorreu com PMs em junho. "Isso, contudo, quem vai poder responder é o DHPP, que assumiu as investigações do crime, depois de encontrar o autor", disse.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.