Delegado é assassinado na frente de casa

Principal hipótese levantada pelos investigadores é de que policial do DHPP tenha sido vítima de tentativa de assalto em Itaquera

MARCELO GODOY , WILLIAM CARDOSO, O Estado de S.Paulo

31 Agosto 2012 | 03h04

O delegado Euclides Batista de Souza, de 53 anos, foi assassinado com dois tiros quando chegava em casa na noite de anteontem em Itaquera, na zona leste de São Paulo. A principal hipótese levantada pela polícia é de que ele tenha sido vítima de uma tentativa de assalto. Os responsáveis pelo crime não haviam sido encontrados até as 20 horas de ontem.

Imagens de câmeras de segurança mostram o delegado chegando em casa por volta das 23h. Primeiro, ele retirou dois cones da frente da residência e entrou com o carro. Em seguida, recolocou os cones no lugar. Quando terminava de fechar o portão, foi abordado por um criminoso, que atirou primeiro no olho da vítima e depois no peito, de cima para baixo. Souza então caiu sobre a própria arma.

Um comparsa do atirador voltou na metade do caminho. Os dois correram até um Gol preto, que estava parado na esquina e tinha cruzado com o Siena verde escuro do policial pouco antes. Souza chegou a ser socorrido por vizinhos no Hospital Santa Marcelina, onde morreu.

Quatro suspeitos de terem cometido o assassinato foram presos na madrugada. A participação deles, porém, foi descartada à tarde, embora todos tivessem envolvimento com a criminalidade. Um deles, baleado no joelho, disse ter sido atingido acidentalmente por um colega, quando se preparava para um assalto.

O caso está sendo investigado pela 3.ª Delegacia de Chacinas e Latrocínios do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), onde foi registrado como latrocínio (roubo seguido de morte). Os bandidos não chegaram a levar nada do delegado.

O secretário de Segurança Pública, Antônio Ferreira Pinto, foi ao velório no Cemitério do Carmo, também na zona leste, e disse que Souza não foi morto por ser policial. "As pessoas que o mataram provavelmente nem sabiam que ele era delegado. É uma grande perda e nós só temos a lamentar."

O delegado-geral da Polícia Civil, Marcos Carneiro Lima, disse que até o momento nenhuma hipótese pode ser descartada, embora a "dinâmica do crime" indique que tenha ocorrido uma tentativa de assalto. "A polícia sempre tem a cautela de não dar uma versão precipitada. (Mas) Mostramos recentemente que grande parte dos latrocínios acontece quando tentam assaltar a casa dos cidadãos."

Entre os familiares, que não quiseram dar entrevistas, havia a suspeita de que o delegado possa ter sido assassinado por ser policial.

Carreira. Souza se tornou conhecido por investigar matadores na zona sul de São Paulo nos anos 1990. Atualmente, ele era delegado de classe especial e respondia pela Divisão de Proteção à Pessoa do DHPP. Trabalhou também na delegacia-geral, quando era comandada por Marco Antonio Desgualdo.

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