Delegado é assassinado a tiros em Santos

Gilvan Marcílio de Freitas Júnior teria sido abordado por dois homens armados que fugiram para São Vicente, no domingo

Felipe Resk, O Estado de S. Paulo

17 de novembro de 2014 | 08h45

Atualizado às 17h35

SÃO PAULO - Um delegado da Polícia Civil foi assassinado a tiros em Santos, no litoral paulista, na noite deste domingo, 16. Gilvan Marcílio de Freitas Júnior, de 46 anos, atuava na Delegacia Central de Cubatão, na Baixada Santista, e foi abordado por dois homens armados na Rua Pernambuco, no bairro Gonzaga. O taxista, que permitiu a fuga dos criminosos, foi preso nesta segunda.

Imagens de câmeras de segurança mostram o momento em que Freitas Júnior estava falando no celular quando foi abordado pela dupla, por volta das 22 horas. Um dos assaltantes teria disparado contra o delegado, que foi atingido no peito. Caído, recebeu outro tiro na região entre o ombro e o pescoço. “As gravações não são claras se houve reação ao assalto”, disse o delegado Marcelo Gonçalves da Silva, assistente da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Santos, responsável pelo caso.

Quando policiais militares chegaram ao local para atender a ocorrência, o delegado já havia sido levado para a Santa Casa de Santos. Ele não resistiu aos ferimentos e morreu no hospital.

Antes de fugirem, os criminosos ainda roubaram uma corrente de ouro e um revólver calibre 38 que estava na cintura da vítima. A Polícia Civil de Santos não acredita se tratar de um caso de execução, mas de roubo seguido de morte. Segundo afirmam, os dois suspeitos, um homem de 19 anos e um menor de idade de 17, já praticaram outros assaltos na região. Eles continuam foragidos.

Em ocasiões anteriores, o taxista contratado para levar e buscar os criminosos era o mesmo da noite de ontem, Felipe Soares de Oliveira, de 25 anos. “Não foi a primeira vez que ele garantiu a fuga deles”, afirmou Silva. De acordo com ele, o motorista recebia “caixinha” dos assaltantes e também vai ser indiciado por latrocínio.

Contradição. O taxista se apresentou no 1º Distrito Policial de São Vicente, também na região da Baixada Santista, logo após o crime. Inicialmente, a testemunha relatou que foi chamado para uma corrida, que pensava ser habitual, e, depois, havia levado os dois homens da cidade até Santos.

Os criminosos teriam, então, pedido para que Oliveira parasse o carro próximo à Rua Pernambuco. Cerca de três minutos depois, a dupla teria voltado para o táxi já com as armas em punho. O motorista, então, teria sido obrigado a dirigir de volta para São Vicente.

Chamado novamente para depor em Santos, Oliveira teria caído em contradição, afirma a Polícia Civil. Em depoimento, disse conhecer os assaltantes de vista. Os dois o teriam contratado por R$ 30 e não era a primeira vez que ele conduzia a dupla.

O taxita também afirmou que havia percebido, durante a corrida, que um deles estava armado, mesmo assim permaneceu esperando que voltassem para o carro, após atirarem no delegado. Com base no depoimento do taxista, a Polícia Civil afirma que os assaltantes estavam escolhendo vítimas de forma aleatória e, portanto, o assassinato do delegado não foi premeditado.

Aos policias, Oliveira indicou o nome e endereço dos dois suspeitos. O homem de 19 anos foi identificado como o autor dos disparos. Na casa dele, foi encontrado um revólver calibre .375, suspeito de ter sido usado no crime, e a arma do delegado.


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