Delegado deve indiciar quatro por morte no Hopi Hari

Parque reabre domingo, mas três brinquedos continuarão inoperantes, entre eles o que causou o acidente em fevereiro

ROSE MARY DE SOUZA , ESPECIAL PARA O ESTADO, CAMPINAS, O Estado de S.Paulo

23 Março 2012 | 03h04

Ao menos quatro pessoas podem ser responsabilizadas pelo acidente que culminou na morte da adolescente Gabriella Nichimura, de 14 anos, em 24 de fevereiro, no parque de diversões Hopi Hari, em Vinhedo, interior de São Paulo. Segundo o delegado Álvaro Santucci Noventa Júnior, elas podem ser indiciadas por homicídio culposo, quando não há intenção de matar.

O delegado anunciou esta semana que o prazo para a conclusão do inquérito foi prorrogado por mais 30 dias. Ele espera os laudos da causa da morte e da análise dos peritos no brinquedo La Tour Eiffel, de onde a jovem caiu. Ela sentou em uma cadeira que estava desativada havia 10 anos.

O Hopi Hari anunciou em nota oficial ontem que vai reabrir domingo, das 11h às 19h. O estabelecimento está fechado desde o dia 2, após acordo com o Ministério Público Estadual para que 14 brinquedos passassem por fiscalização. Três atrações do parque continuarão interditadas. O La Tour Eiffel, que não tem prazo para voltar a operar; o West River Hotel, que terá de se adequar às exigências da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT); e o Simulakron, que precisa de sistema de monitoramento de câmera infravermelho com um operador exclusivo.

A decisão de interditar esses brinquedos foi firmada por meio de Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) entre o Ministério Público de Vinhedo e a direção do Hopi Hari. Pelo TAC, o parque deve adotar duplo controle de fechamento de travas de segurança nos brinquedos Montezun e Vurang. As atrações Aribabiba e Girande Mundi deverão passar por inspeção do Ministério Público, do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e do Corpo de Bombeiros antes de ser colocadas em funcionamento no domingo. A desobediência de alguma cláusula implicará multa diária de R$ 95 mil.

O Ministério Público pede também a adoção de procedimentos de segurança que incluem desde pintura de faixa de alerta até treinamento de funcionários, redução de ruídos e limpeza de vazamento de resíduos de óleo em rolamentos, entre outros itens.

As atrações foram vistoriadas por uma força-tarefa composta por peritos do Ministério Público do Trabalho, Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Estado de São Paulo (Crea), IPT, bombeiros e a empresa alemã TÜV SÜD Industrie Service, que faz auditoria em parques.

Noventa Júnior disse que a reabertura do parque não vai atrapalhar as investigações. A família de Gabriella afirma não ser contra a retomada das atividades do Hopi Hari, desde que os brinquedos não apresentem risco.

Tragédia. Gabriella morava no Japão com os pais e passava férias no Brasil. No dia 24 de fevereiro, os três e mais uma prima foram ao Hopi Hari. Os quatro ocuparam o mesmo conjunto de assentos do La Tour Eiffel. A cadeira de Gabriella estava com a trava desativada e a menina despencou de cerca de 20 metros.

Os cinco funcionários do Hopi Hari que trabalhavam no brinquedo quando houve o acidente admitiram à polícia saber da trava desativada e disseram ter alertado os superiores. Mas entraram em contradição ao relatar o que cada um fazia na hora da tragédia e a quem caberia supervisionar a entrada. O vice-presidente do Hopi Hari, Claudio Guimarães, afirmou que um conjunto de falhas causou a tragédia.

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