Delegado defende uso de algemas em menor detido 9 vezes

Titular disse que é fácil questionar quando não se vive o problema; segundo ele, F., de 12 anos, era perigoso

Felipe Oda, estadao.com.br

17 Dezembro 2008 | 18h55

Após ser detido pela nona vez, o garoto de 12 anos, que estava preso no 85.º Distrito Policial, no Jardim Mirna, zona sul da capital, seguiu algemado para uma unidade da Fundação Casa (antiga Febem). Para o delegado titular Luiz Carlos Ferreira, as algemas foram necessárias devido a "periculosidade do infrator".  Veja também: Nós: Enfim, F. está nos braços da lei  F. é precoce, diz mãe do garoto Ele não pode ser penalizado, dizem especialistas "Ele é um menino especial, perigoso, que desde os nove anos pratica crimes. O garoto utiliza sua inteligência para coisas ruins e não respeita as instituições", afirma Ferreira. O próprio delegado garante que surpreendeu-se com a "índole" da criança. "Em 38 anos de polícia eu nunca vi nada parecido".  Além de defender a conduta dos oficiais, Ferreira também rebateu críticas dos representantes dos Direitos Humanos. "É fácil falar quando a pessoa não vive o problema. O menor representa perigo e tentou fugir. A polícia prende, mas o crime é protegido pelos Direitos Humanos". A última vez havia sido no dia 23 de outubro, quando ele também foi pego conduzindo um veículo furtado. Com apenas 12 anos, ele tem uma longa ficha criminal: ele já foi detido por furto de carros - em agosto -; direção de veículo sem habilitação; furto e arrombamento de loja e desacato à autoridade e atentado ao pudor. Na penúltima vez em que foi detido, a mãe do garoto afirmou estar "cansada de ver" o que o filho faz. 

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