Delegado acusado de agredir advogado cadeirante é afastado do cargo

Vítima alega ter levado coronhadas e ter sido ofendido após reclamar por delegado ter estacionado seu carro em uma vaga para deficientes em São José dos Campos

Marília Lopes, Central de Notícias

20 de janeiro de 2011 | 19h28

SÃO PAULO - O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Antonio Ferreira Pinto, determinou o afastamento imediato do cargo do delegado Damásio Marino, que é acusado de agredir um cadeirante em São José dos Campos.

 

Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), por determinação do secretário, a Corregedoria da Polícia Civil instaurou um procedimento administrativo para apurar a responsabilidade funcional do delegado na agressão ao advogado Anatole Magalhães Macedo Morandini.

 

O advogado contou que por volta das 17h da segunda-feira tentava parar seu carro em uma vaga próxima a um cartório no centro da cidade. Porém, a vaga destinada a deficientes físicos estava ocupada. O advogado parou o carro mais longe e foi até o cartório. Na saída, viu que o proprietário do carro estacionado na vaga especial não era portador de deficiência física.

 

"Chamei a atenção dele, como já fiz diversas vezes, disse que ele não era deficiente e não pode parar lá", contou Morandini. Segundo o advogado, o delegado Damásio Marino, titular do 6º distrito policial de São José dos Campos, passou a insultá-lo e mandá-lo calar a boca. "Ele me chamou de aleijado filho da p...", afirmou o advogado. Depois, o delegado entrou no carro. O advogado, então, cuspiu no vidro do veículo. O delegado desceu do carro, e com uma arma na mão, dado coronhadas na cabeça, olho e boca do advogado. "Minha camisa ficou ensanguentada após a agressão", disse Morandini.

 

Marino foi identificado pois uma das pessoas que testemunhou a briga anotou a placa do carro dele. E Morandini conhece a advogado que acompanhava o delegado no carro. Ainda na segunda-feira, o advogado registrou um boletim de ocorrência, por lesão corporal, e fez exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML).

 

Morandini procurou a sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em São Paulo e espera apoio da instituição. "Preciso do apoio da OAB para que o caso não fique impune", afirmou. O advogado de defesa de Marino, Luiz Antonio Lourenço da Silva, não foi encontrado pela reportagem. 

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