Delegacia onde mulher foi roubada é invadida

Vazio e sem vigilância de madrugada, o prédio do 1º Distrito Policial de Salto teve portas arrombadas e salas reviradas; polícia fala em vandalismo

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

18 de maio de 2010 | 00h00

SOROCABA

O prédio do 1.º Distrito Policial de Salto, a 102 km de São Paulo, onde uma comerciante teve a bolsa roubada na semana passada, foi arrombado e invadido na madrugada de ontem. Os invasores estouraram a fechadura e quebraram a porta de vidro para entrar no prédio. Dentro, eles reviraram a sala de atendimento ao público, um cartório e o gabinete do escrivão. O prédio estava vazio e não tinha vigilância.

A invasão só foi notada por volta das 9 horas, quando um policial chegou para o trabalho. Ele encontrou gavetas, papéis e documentos jogados pelo chão. Um armário onde havia coletes à prova de balas não chegou a ser arrombado. O delegado do município, Moacir Rodrigues de Mendonça, disse que, apesar do vandalismo, nada foi roubado. Segundo ele, a sala usada pelo delegado estava trancada à chave e não chegou a ser forçada.

Ele não descartou a hipótese de a ação estar relacionada com o crime contra a comerciante. Ela teve a bolsa, com R$ 13,5 mil, roubada quando registrava uma ocorrência. "Estamos investigando todas as possibilidades."

Peritos tiraram fotos e recolheram amostras de digitais no local. Vizinhos também foram ouvidos. As imagens feitas pelas câmeras de segurança de uma empresa foram examinadas, mas não flagraram os invasores.

O caso da comerciante. Na sexta-feira, uma comerciante de 52 anos entrou no distrito policial para registrar a ocorrência de um celular clonado. Ela levava na bolsa o dinheiro que tinha sacado numa agência bancária. Um ladrão invadiu o prédio e a atacou na frente de pelo menos três policiais. A mulher gritou por ajuda e ainda tentou evitar o roubo, jogando a bolsa por cima do balcão. O homem pulou o móvel, apanhou o acessório e saiu pela porta da frente, sem ser incomodado, a não ser pela mulher, que ficou ferida no braço. O escrivão que presenciou a cena disse que não agiu porque achou que era briga de casal.

Celso Araújo, três perguntas para...

DELEGADO ASSISTENTE DA SECCIONAL DE SOROCABA

1. Há relação entre a invasão da delegacia e o roubo praticado contra a comerciante?

Aparentemente, foi puro vandalismo, pois não levaram nada.

Temos informações de que havia três ou quatro veículos nas imediações de madrugada

2. Não seria o caso de manter vigilância nas unidades?

A falta de funcionários é latente... A maioria dos distritos policiais do interior não tem segurança noturna e, por isso, não deixamos armas e drogas nesses locais

3. Essas ações não prejudicam a imagem da polícia?

Essas ações não vão ficar sem resposta. Existe um esquema de investigação com gente especializada, uma força-tarefa. Temos informações que ainda não podemos divulgar[ ]

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.