Delegacia da Mulher começa a funcionar

Arquivo Estado[br]Há 25 anos

Rose Saconi, O Estado de S.Paulo

07 de agosto de 2010 | 00h00

A primeira delegacia de Polícia de Defesa da Mulher foi inaugurada em 7 de agosto de 1985, no centro de São Paulo. Criada no governo Franco Montoro, surgiu a partir de protestos de mulheres que lutavam contra o descaso com que o Poder Judiciário e os distritos policiais lidavam com os casos de violência doméstica e sexual nos quais a vítima era do sexo feminino.

No primeiro dia de funcionamento, os primeiros casos registrados foram relacionados a sedução, espancamento e estupro. Em entrevista ao Estado, a delegada titular, Rosmary Correia, defendia que mulher entende muito mais o problema de outra mulher do que o homem.

Segundo ela, numa delegacia convencional havia constrangimento na hora dos detalhes, principalmente no caso de crimes sexuais. "Agora vai aumentar o número de mulheres dispostas a dar queixa, diminuindo assim a sensação de impunidade dos agressores. É o caminho mais curto para a punição dos criminosos", disse.

O primeiro boletim de ocorrência registrado na delegacia foi um caso de sedução, logo pela manhã, às 9h25. Uma menor de 16 anos de idade foi seduzida pelo namorado da mãe.

O segundo caso foi o de uma jovem de 26 anos, bancária, que apresentava escoriações pelo corpo e um hematoma no olho. O agressor foi o companheiro, com quem vivia havia nove meses. ''Sem dizer nada, ele me bateu na cabeça e deu socos em todo o meu corpo'', relatou.

O caso mais grave registrado no dia da inauguração foi o de uma criança de 4 anos, estuprada por um rapaz desconhecido, de apenas 16 anos.

500 casos. No final do expediente do primeiro dia de atendimento da Delegacia da Mulher, um total de 500 mulheres tinham feito consultas e prestado queixa. A maioria já sofria agressões, mas, por vergonha e constrangimento, nunca havia procurado uma delegacia comum.

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