DENISE ANDRADE/ESTADÃO
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Delator acusa secretário de Haddad em CPI do teatro

Titular da Comunicação, Nunzio Briguglio, teria ordenado pagamentos irregulares; John Neschling também é investigado

Bruno Ribeiro e Fabio Leite, O Estado de S. Paulo

30 Junho 2016 | 03h00

SÃO PAULO - Em depoimento secreto a vereadores da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que apura desvios no Teatro Municipal de São Paulo, o ex-diretor da Fundação Teatro Municipal José Luiz Herência acusou o secretário de Comunicação da gestão Fernando Haddad (PT), Nunzio Briguglio Filho, de ordenar contratação e pagamentos a serviços que não foram prestados e que somariam R$ 1,5 milhão. Herência também acusou o maestro John Neschling de intermediar contratos de sua empresa com a instituição.

Briguglio negou as acusações e se colocou à disposição da CPI, que nesta quarta confirmou sua convocação para depoimento. O maestro também deve comparecer à comissão. A Prefeitura tornou público nesta quarta um relatório da Controladoria-Geral do Município com resultados da primeira auditoria feita no Municipal, que encontrou irregularidades em contratos na gestão Herência, entre 2013 e 2015, da ordem de R$ 15 milhões.

O depoimento do ex-diretor foi dado a portas fechadas. O Estado confirmou o teor da oitiva com três pessoas que participaram da sessão, ocorrida entre 10 horas e 15 horas desta quarta-feira, 29, na Câmara.

Herência afirmou que Briguglio teria “ordenado” que ele contratasse um produtor de vídeos para a produção de cinco peças publicitárias do Municipal, ao custo de R$ 500 mil, mas que o material jamais teria sido entregue. A contratação teria ocorrido em 2014.

Em uma segunda acusação, o ex-diretor afirmou que o secretário de Comunicação teria contratado uma empresa de Montecarlo, na Europa, para a realização de uma série de concertos naquele continente, mas que a produção também não foi adiante, mesmo após o pagamento. 

Ele mostrou aos vereadores uma carta assinada por Briguglio, escrita em espanhol e datada de julho de 2014, em que confirmava o interesse da Prefeitura em realizar seu projeto na Europa e que iria garantir os recursos. O teatro terminou contratando a empresa e fez um pagamento de R$ 150 mil, mas a execução está suspensa diante da intervenção na entidade feita pela gestão Haddad.

Briguglio confirmou a disposição em realizar o projeto, que consistia em dez apresentações de óperas brasileiras na Europa antes da Olimpíada. “Mas o projeto nunca foi apresentado. Por isso, não o contratamos”, disse. Depois, o Municipal fechou com a empresa europeia.

Relatório. O relatório produzido pela Controladoria-Geral do Município, de 77 páginas, aponta uma série de irregularidades na gestão do Municipal por Herência. As falhas eram executadas por meio da Organização Social Instituto Brasileiro de Gestão da Cultura (IBGC), que tinha um contrato de gestão com o teatro, e era presidido por William Naked, que também foi ouvido pelos vereadores nesta quarta.

A auditoria apontou irregularidades na contratação de 17 fornecedores. “Havia até três contratos para fornecimento de um mesmo serviço, sete empresas que tinham um mesmo endereço ou um mesmo contador”, segundo o controlador-geral do Município, Gustavo Gallardo. “Mesmo que os contratos tivessem sido executados, se houvesse comprovação, ainda assim haveria indícios de direcionamento”, continuou.

A auditoria revelou ainda transferências sem justificativa em recursos do IBGC para outra organização social de Naked. O alvo da investigação interna foram contratos cuja execução não pôde ser comprovada. Assim, o vídeo que Herência atribuiu à intervenção de Briguglio não é citado. “Esses vídeos foram feitos”, disse o interventor do Municipal, Pedro Dallari, que está no cargo desde fevereiro. A contração da empresa, cujo proprietário é Toni Venturi, que seria amigo de Briguglio, passou por processo de licitação com participação de outras três concorrentes.

Já o contrato com a empresa de Montecarlo também ficou fora da auditoria porque o acordo está suspenso. 

O advogado do maestro, Eduardo Pizarro Carnelós, negou as acusações feitas pelo ex-diretor. A CPI busca, agora, estabelecer ligações do prefeito com Neschling, a partir de informações dadas por Herência de viagens feitas por Haddad ao sítio do maestro, no interior.

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