'Deixaria carro em casa se tivesse essa opção'

Tradicionalmente movimentada a partir das 18h e sem trégua nos fins de semana, a Vila Madalena deve ganhar reforço de transporte público em janeiro. Mais do que os clientes assíduos que costumam frequentar a região, quem comemora a medida são os funcionários dos bares que, ao saírem do trabalho depois da meia-noite, não têm alternativa para chegar em casa.

Mônica Reolom e Caio do Valle, O Estado de S.Paulo

06 de setembro de 2013 | 02h04

Ideílton Dantas Xavier, de 40 anos, chefe de um bar na Rua Aspicuelta, termina o expediente às 3h e tem de caminhar mais de 2 quilômetros até o Terminal Pinheiros. Daí, faz uma longa viagem de ônibus diariamente. "Chego em casa às 7h. Um ônibus circular facilitaria a minha vida", afirma.

Carro. Gerente de outro bar na região, Luiz Ricardo Gomes de Oliveira, de 24 anos, usa carro para chegar ao trabalho. "Deixaria em casa se tivesse essa opção." Morador da Vila Leopoldina, ele demora apenas 10 minutos para chegar em casa. Se quiser pegar ônibus hoje, tem de enfrentar superlotação e longa espera de até uma hora - mais o tempo de percurso.

Hostess, Jaqueline Carvalho, de 26 anos, ressalta que não basta ao governo instituir lei seca e outras medidas anticarro. "A questão não é só tolerar álcool zero, tem de dar alternativas. E colocar mais ônibus durante a madrugada vai ajudar muito o pessoal que trabalha nesses horários."

A pé. Morador da Vila Madalena, o estudante Felipe Zeron, de 23 anos, tem a possibilidade de ir a pé a alguns bares e restaurantes. No entanto, exalta a iniciativa e ainda afirma que usaria o ônibus circular.

"Seria uma excelente opção, ajudaria a substituir o carro. Hoje você não tem alternativa: ou usa táxi ou carro, e gasta muito dinheiro." Para ele, esse investimento é essencial para quem gosta de sair à noite na capital paulista.

Símbolo deve ser uma coruja ou uma meia-lua

Os ônibus da madrugada serão identificados por adesivos que trarão o ícone do sistema. A SPTrans ainda discute a imagem: uma meia-lua ou uma coruja. O sinal será afixado também nos pontos de ônibus atendidos pelo serviço madrugador. Assim, será mais fácil saber se a rede noturna atende especificamente aquele local e evitar esperas inúteis. O nome da rede tampouco foi definido: uma das propostas é que se chame Operação da Coruja.

Outra característica dos chamados pontos de conexão é que eles se transformarão em "ilhas de luz", com iluminação reforçada não só nos pontos, mas nas faixas de travessia.

Além disso, a Prefeitura está em tratativas com a Polícia Militar para que rondas sejam mais constantes nesses locais, para ampliar a sensação de segurança.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.