Degradação e violência assustam o Paraíso

Praça na entrada de estação do Metrô está repleta de mato e lixo, o que facilita a ação de assaltantes; moradores de rua também ocupam o local

Valéria França, O Estado de S.Paulo

05 Agosto 2010 | 00h00

Localizada numa região nobre da capital, a Praça Rodrigues de Abreu, onde desemboca a saída principal da Estação Paraíso do Metrô, na zona sul, está degradada. Lixo acumulado, jardim tomado pelo mato e entulho de todo tipo são parte do cenário da região, que nem parece estar a poucos metros da Avenida Paulista, um dos cartões-postais da cidade.

O espaço virou um acampamento de moradores de rua. Colchões estendidos no chão, roupas penduradas pelas árvores e até uma privada são alguns dos objetos encontrados pela reportagem na tarde de anteontem. "O cheiro de fezes é insuportável", diz a paraibana Iolanda Ferreira da Silva, de 56 anos, que há 18 anos vende doces numa banca na frente da praça.

Crimes. O abandono também facilita a ação de menores de idade e adolescentes que perambulam por lá dia e noite, cometendo assaltos. "Quem conhece a região evita passar por ali. Sempre tem assalto", diz Iolanda.

As vítimas, em geral, são mulheres. "Não dá para andar com o celular na mão; eles correm atrás de você", diz Greyce Aquino, de 18 anos, auxiliar de administração de um escritório nas proximidades da estação. Ela sai do trabalho por volta das 17h e anda cerca de 600 metros até o ponto de ônibus na praça.

A recepcionista Alessandra Santana, que também espera o ônibus no ponto, diz que falta policiamento. "Quando escurece, vou para um ponto mais distante para não correr risco."

Não raro crianças pequenas são vistas em bando assaltando pedestres. "Outro dia registramos a ocorrência de uma psicóloga que entregou a bolsa de tão assustada que ficou. Um menino puxou o cabelo dela e o outro, ameaçou", diz Marco Antonio Manfrin, delegado titular do 37.º DP (Campo Limpo). Apesar disso, segundo ele, no último ano os assaltos e furtos na região diminuíram em consequência de um policiamento mais intenso.

É o 5.º DP, no entanto, que recebe a maior parte dos boletins de ocorrência de crimes cometidos na Rodrigues de Abreu e arredores. "O policiamento na cracolândia e na Praça da Sé aumentou muito", analisa Renato Falisoni, delegado do 5.º DP. "Quando isso acontece, a criminalidade migra para outro lugar."

Obras. Depois que tapumes foram colocados na praça para a instalação de elevadores do Metrô, há pelo menos dois meses, a insegurança e a sujeira aumentaram. As madeiras tiram a visibilidade de um corredor estreito que dá acesso a uma das entradas principais da estação. A assessoria do Metrô informa que não tem responsabilidade pela manutenção da praça e que nunca foi informada sobre os assaltos na região. A Subprefeitura da Vila Mariana diz que recolhe diariamente objetos deixados no local e que agentes especializados da Secretaria de Assistência Social abordam os moradores de rua com a finalidade de encaminhá-los aos serviços públicos.

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