Defesa vai apresentar amigos que fugiram com motorista após atropelamento

Para polícia, há provas de que Ferreira cometeu homicídio doloso, por assumir o risco de matar ao dirigir em alta velocidade

Luciano Bottini,

22 Novembro 2013 | 20h13

A defesa do motorista que matou uma pedestre na faixa de segurança na Ponte do Piqueri, na zona norte de São Paulo, na madrugada de quarta-feira, 20, vai apresentar à polícia os dois colegas que também abandonaram o veículo depois do atropelamento. Vagner Fraga Ferreira, de 28 anos, confessou na quinta-feira, 21, que dirigia o Fiat Stilo que se chocou com Jéssica Bueno Rodrigues da Silva, de 22 anos.

Ferreira andou com o automóvel por mais de 200 metros, após atravessar a ponte, e fugiu a pé sem prestar socorros acompanhado desses dois amigos. Seu advogado, Roberto Gama, afirmou à polícia que irá encaminhar na próxima segunda-feira, 25, os dois homens que estavam com o condutor. Os três iam para uma casa noturna na Avenida Marquês de São Vicente, na Barra Funda, zona oeste da cidade. A polícia ainda estudará se os dois serão indiciados por omissão de socorro.

A identidade dos dois acompanhantes ainda não foi informada à polícia. A investigação ouviu nesta sexta-feira, 22, duas amigas da vítima, que estavam entre os três casais que iriam atravessar a faixa de segurança antes do atropelamento. Essas duas testemunhas, de acordo com os investigadores, são as últimas que foram convocadas no inquérito por parte do delegado titular do 7o DP (Lapa), Marcel Druziani. Elas confirmaram a versão de que o motorista fazia um racha e acertou Jéssica em alta velocidade, ao furar o semáforo fechado.

Provas. Por parte da polícia, já existem provas suficientes de que Ferreira cometeu homicídio doloso (com intenção), por assumir o risco de matar ao dirigir em alta velocidade. Em seu interrogatório, o indiciado negou que estivesse em um racha. A questão da velocidade em que ele estava e se eventualmente ele tentou evitar o acidente poderão ser demonstradas pelos laudos técnicos do veículo, do local da morte e do corpo da vítima. Após, o inquérito deverá ir ao Ministério Público.

Segundo o delegado, Ferreira confessou que estava com a carteira de motorista suspensa por causa de multas - e não vencida - e que dois carros perto dele na Edgar Facó faziam um racha, o que o obrigou a mudar de pista e não permitiu visualizar Jéssica. Também segundo Ferreira, ela atravessava a via fora da faixa de segurança e quando o sinal estava verde para o carros.

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