André Lessa/AE
André Lessa/AE

Defesa tenta relacionar cobertura da mídia ao desfecho trágico do caso Eloá

Jornalistas depuseram; advogada do réu relacionou o tragédia do cárcere à cobertura da mídia

estadao.com.br,

14 de fevereiro de 2012 | 16h11

SÃO PAULO - No começo da tarde desta terça-feira, 14, dois jornalistas foram ouvidos como testemunhas de defesa de Lindemberg Alves. Márcio Campos e Rodrigo Hidalgo, da TV Bandeirantes, ouviram, da advogada do réu, Ana Lúcia Assad, perguntas que tentavam relacionar o fim trágico do cárcere de Eloá à cobertura da mídia.

 

Mas questões como "você acha que a imprensa influenciou o caso" foram indeferidas pela juíza Milena Dias, que as considerou "achismo".Em seu depoimento, Campos afirmou que Lindemberg parecia calmo durante o tempo que manteve a ex-namorada como refém - a única pessoa que aparentava nervosismo, disse o jornalista, era Eloá.

 

Na segunda-feira, 13, a advogada Ana Lúcia Assad, questionada se a cobertura teve impacto no desfecho do caso, afirmou que "todos tem corresponsabilidade, inclusive a sociedade".

Anteriormente, houve outra reviravolta: juíza, defesa e acusação decidiram que Ana Cristina Pimentel, mãe de Eloá, morta pelo ex-namorado, Lindemberg Alves, em 2008, não será ouvida como testemunha no segundo dia de julgamento do rapaz, no Fórum de Santo André. Depois de algumas idas e vindas, decidiu-se que apenas Douglas, o irmão mais novo de Eloá, prestaria depoimento. Pouco antes, mãe de Eloá ficou frente a frente com Linbemberg trocando olhares intimidadores.

 

Houve princípio de tumulto e a mãe de Eloá, aos jornalistas, disse que não depôs porque a advogada Ana Lúcia Assad deu ‘um piti’.

Ana Cristina desejava falar. Em entrevista coletiva, afirmou que queria dizer que Lindemberg é um ‘assassino’ e ‘quem ama não mata’.

Relembrou o momento em que, no plenário, ficou cara a cara com o acusado e se encararam. Disse não ter visto arrependimento nos olhos do réu. Segundo ela, Lindemberg fez um gesto com as mãos, interpretado por ela como um pedido para que ela não falasse mal dele.

 

Ao falar, Douglas, irmão da menina morta, assim como seu irmão mais velho, caracterizou Lindemberg como "monstro". A mãe de Eloá ouviu o depoimento do garoto, menor de idade, do plenário - ele tem 17 anos hoje e disse que vai acompanhar o resto do julgamento da plateia. Ao sair para almoçar, a advogada de defesa de Lindemberg foi hostilizada e pediu escolta.

 

Pouco antes, a mãe entrou no plenário onde encarou Lindemberg. O acusado estava presente na sala, e Ana Cristina, do momento em que entrou até a hora em que saiu, o encarou. Lindemberg a encarou de volta e os dois ficaram por cerca de dois minutos trocando olhares intimidadores.

 

Por volta de 11h15, Ana Cristina Pimentel, mãe de Eloá, foi chamada ao plenário. Ela havia sido convocada ontem pela advogada de Lindemberg como testemunha de defesa.

 

Mas Ana Cristina não depôs. Ana Lúcia Assad, advogada de Lindemberg, ameaçou deixar o júri caso ela e o irmão mais novo de Eloá, Douglas, testemunhassem. Contrariada, a mãe de Eloá deixou o plenário. Ela queria falar.

 

Monstro. Em depoimento também programado para esta terça, o irmão de Eloá, Ronikson Pimentel dos Santos, lamentou o namoro da irmã com o acusado e chamou Lindemberg de monstro. 'Ele é um mostro, louco e agressivo'. O irmão disse que conversou com as mulheres que receberam órgãos de Eloá, e que elas têm um jeito (voz) parecido com Eloá.

 

Ronikson afirmou também que Lindemberg se aproximou do irmão mais novo da família, Douglas, com o objetivo de se aproximar de Eloá. Foi por meio do garoto, 'uma criança', lembra Ronikson, que Lindemberg conheceu a vítima. 'Ele traiu minha família', disse Ronikson.

 

Lindemberg chegou ao fórum no ABC paulista por volta das 8h30 desta terça-feira, para o segundo dia de julgamento. Por volta das 7h30, Lindemberg saiu escoltado por duas viaturas do Centro de Detenção Provisória (CDP) de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, onde passou a noite.

 

O primeiro dia de julgamento começou 50 minutos depois do horário previsto e terminou por volta das 20h. Três dos quatro reféns de Lindemberg prestaram depoimento, entre eles Nayara Rodrigues da Silva, principal testemunha de acusação.

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