Defesa procura fazer valer o direito de perguntar

Análise: Luiz Flávio Gomes

É JURISTA, O Estado de S.Paulo

14 Março 2013 | 04h22

Por que os defensores indicaram um policial e um perito, com fortes incriminações contra o réu, para serem ouvidos como testemunhas de defesa no plenário do júri? Não se trataria de um ato suicida? Dois motivos para entender isso: (a) são incontáveis os indícios contra Mizael, cuja situação processual, até aqui, é totalmente desfavorável, e (b) a sua radical tese defensiva, negativa de autoria, que significa ganhar ou perder tudo.

A terra encontrada no sapato do acusado era compatível com a da represa de Nazaré Paulista, onde foram encontrados o carro e o corpo da vítima Mércia? O perito anteriormente afirmou que sim e ontem disse não. Foi preservado o veículo para perícia? O mesmo perito disse não. O rastreador revelou que o carro de Mizael ficou parado num hospital; já o laudo diz que estava em movimento (4 km/h). Quem examinou os registros das antenas dos celulares? Um policial experiente, mas sem formação científica.

São essas, dentre outras, as contradições, imprecisões e omissões que servirão de base à defesa de Mizael para plantar dúvidas nas cabeças dos jurados, que estão formulando muitos questionamentos para as testemunhas e os peritos. O leitor e o telespectador talvez agora entendam a razão das incontáveis e esgotantes perguntas que os defensores estão formulando. É só o que resta.

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