Defesa é essencial para não condenar inocentes, diz criminalista

Alberto Zacharias Toron afirma que, às vezes, advogados são injustamentes atacados em casos de repercussão

Gustavo Villas Boas , estadão.com.br

15 de fevereiro de 2012 | 16h23

 SÃO PAULO - Um dos mais renomados advogados criminalistas do Brasil, o doutor em direito penal pela USP Alberto Zacharias Toron, a pedido do estadão.com.br, comentou o papel do advogado de defesa em tribunais do júri.

"O papel do advogado é essencial para tranquilizar as consciências de que um inocente não foi condenado. Assim, todas as agressões que se praticam contra a defesa, que é essencial para a administracao da justiça, causam dano a ela mesmo (justiça)".

Para Toron, até mesmo o diálogo entre a juíza Milena Dias e Assad, que terminou com a advogada sugerindo que a magistrada voltasse a estudar, são normais. "Em julgamentos pelo tribunal do júri, são absolutamente normais os embates, não apenas entre as partes (advogada e promotor), mas, às vezes, entre o advogado e o próprio juiz."

O advogado ponderou que a resposta de Assad "não foi a mais feliz", "mas, de qualquer modo, no calor do debate, era o que parecia mais adequado. Por outro lado, infelizmente, em casos famosos como este, da Eloá ou o dos Nardoni (casal culpado pela morte de Isabella), a defesa tem sido injustamente atacada por cumprir com o papel que é fundamental para a realização da justiça".

Toron tem experiência em casos polêmicos e de repercussão. Atuou como assistente de acusação no caso de Suzane von Richthofen e foi advogado de defesa dos juízes Nicolau dos Santos e João Carlos da Rocha Mattos, além de atuar como advogado de Silvio Santos no caso do Banco Panamericano.

Polêmica. A atuação da advogada de defesa de Lindemberg Alves, 25, acusado de matar Eloá Pimentel e outros 11 crimes, tem causado polêmica. Ana Lúcia Assad tem sido hostilizada pelo público em frente ao Fórum de Santo André e, nesta terça-feira, 14, pediu escolta policial na hora do almoço. A OAB já se manifestou para reforçar o papel do advogado nesses casos: "Ela não está defendendo o ato praticado pelo Lindemberg, e sim, exercendo a ampla defesa a que ele tem direito. Nenhum advogado defende o ato que ele praticou, mas a legalidade de um processo que seja justo", disse o presidente subseção de Guarulhos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

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