Defesa desiste acareação com mãe de Isabella

Defesa desiste acareação com mãe de Isabella

Segundo psiquiatra do Estado que a atendeu, Ana Carolina de Oliveira estava à beira de um colapso nervoso

, O Estadao de S.Paulo

26 Março 2010 | 00h00

Ana Carolina de Oliveira, mãe de Isabella, não resistiu ao 4.º dia consecutivo de confinamento no Fórum de Santana. Pela manhã, antes mesmo do início do interrogatório dos réus, um psiquiatra do Estado foi chamado para atendê-la. O diagnóstico apontou alto nível de estresse, com risco iminente de um colapso nervoso. Naquele estado, advertiu o médico, uma acareação era contraindicada.

O juiz Maurício Fossen, que preside o júri, apresentou a situação para as partes e para os réus. Após alguns minutos, chegou-se a um consenso: a testemunha deveria ser imediatamente dispensada e a acareação, cancelada.

"Cheguei para os meus clientes e disse: a vida de vocês, a prisão de vocês pode depender dessa acareação", disse o criminalista Roberto Podval, que defende o casal. "Os dois concordaram em dispensá-la. Eles não tinham sido ouvidos, não sabiam se precisavam da oitiva dela ou não."

Perdido. No 4.º dia de julgamento, a defesa do casal adotou um discurso menos confiante ao fazer um prognóstico do resultado. "Eu entrei aqui dizendo que era uma causa praticamente perdida. Eu entrei aqui dizendo que os jurados vieram para condená-los", disse Podval. "Eu não tenho falsas expectativas."

O advogado negou que Alexandre tenha mudado de versão em seu interrogatório. "A única orientação que eu dei para os dois foi: vão ali e digam a verdade porque a gente não vai ganhar esse júri tapando o sol com a peneira", salientou Podval. "Eles me disseram: "Mas se falar a verdade, vamos ter de falar do acordo, das reuniões, de quem estava na sala"", afirmou o criminalista, referindo-se a uma suposta tentativa de acordo na delegacia para livrar Anna Jatobá.

Sobre o depoimento da madrasta de Isabella, Podval assinalou: "Foram mais de 10 horas de depoimento e não falaram do crime. Ela é acusada de asfixiar a menina e nada foi perguntado sobre isso". Durante os quase 10 minutos de entrevista, Podval teve de ouvir gritos de "justiça", "assassino" e "mercenário", vindos de dezenas de pessoas que se aglomeravam diante do Fórum./ BRUNO TAVARES, ELVIS PEREIRA E LEANDRO CALIXTO

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.