Defesa decide tirar mãe de Eloá da plateia

Ana Cristina vira testemunha e vai depor. Estratégia evita que ela emocione júri

O Estado de S.Paulo

14 de fevereiro de 2012 | 03h01

Uma troca inesperada na lista de testemunhas quase adiou o início do julgamento de Lindemberg Alves. Com o aval da juíza Milena Dias, a mãe da vítima, Ana Cristina Pimentel, de 45 anos, deixou a plateia para compor a lista de testemunhas. Seu filho mais novo, Douglas, também será ouvido pelos jurados.

O pedido foi feito pela advogada de defesa, Ana Lucia Assad. Mesmo sem a aprovação da acusação, que afirmou ser ilegal a substituição, a juíza permitiu a manobra de última hora. Milena Dias alegou que o pedido foi deferido pela necessidade de se realizar o julgamento.

Para especialistas, a troca visa apenas a retirar a mãe da plateia, onde poderia emocionar jurados ao demonstrar sentimentos de ódio ou dor. Ana Lucia nega. "Vocês entenderão, na hora certa, por que fiz questão de ouvi-la." O advogado de Ana Cristina, Ademar Gomes, rebateu. "Nunca vi a defesa convocar a mãe da vítima." Ela e o filho mais novo serão testemunhas neutras, ou seja, não representarão nem a defesa nem a acusação.

Bom moço. Antes do início do júri, a advogada tentou modificar a imagem consolidada de Lindemberg, tido como violento e obsessivo. "Ele não é violento. É um menino bom e trabalhador."

Às 8h30, ao entrar no Fórum de Santo André, onde ocorre o júri, a advogada ainda pediu à sociedade que abra seu coração para ouvir o que seu cliente tem a dizer. Pela primeira vez, o réu deve se defender dos crimes pelos quais responde: homicídio qualificado, tentativa de homicídio qualificado, cárcere privado e disparo de arma de fogo. Em todas as audiências judiciais realizadas até agora, o réu se calou.

A estratégia não convencerá os jurados, segundo a acusação. "Isso não vai pegar. Ele (Lindemberg) é calculista. De bom menino não tem nada", disse um dos advogados assistentes da Promotoria, José Beraldo. Ao longo dos depoimentos, Lindemberg foi classificado de formas variadas. Para Iago Vilela, de 18 anos, mantido refém no primeiro dia de cárcere, o acusado se autodenominava "o príncipe do gueto". "Ele se gabava do que estava fazendo. Achava que estava no poder e chegou a rir após atirar no policial", afirmou o jovem.

O alvo do jovem, o sargento Atos Valeriano, classificou o réu como um "desequilibrado". "Ele planejou. Pediu para que eu chegasse perto. Quando me aproximei, colocou a arma para fora da janela. Perguntei se iria atirar, e ele disse que eu era da polícia e, por isso, não deveria ter medo de tiro. Depois, atirou."

A defesa ainda questionou Iago sobre o que os reféns ouviam no apartamento. "Ele deixou (que ouvíssemos o que quiséssemos) porque disse que seria a última vez que ouviríamos as músicas." /ADRIANA FERRAZ e ARTUR RODRIGUES

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