Andre Lessa/AE
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Defesa de PMs alega clima de tensão

Advogado pediu habeas corpus para os três; representantes da família da vítima ainda vão discutir ação judicial contra o Estado

Fabiano Nunes, O Estado de S. Paulo

20 Julho 2012 | 22h30

O advogado Fernando Capano, que representa os três PMs acusados de matar o publicitário Ricardo Prudente de Aquino, de 39 anos, no Alto de Pinheiros, na noite de quarta-feira, 18, entrou com um pedido de habeas corpus no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). O advogado considera que o episódio demonstra a falta de respaldo para os PMs nas ruas.

"Eles são alvo a todo momento de ataques do PCC (Primeiro Comando da Capital), vivem com a possibilidade de serem mortos em combate", disse o advogado.

Para Capano, o resultado do caso "tem tudo a ver com a tensão que eles sofrem". "Eles estavam em um bairro (Pinheiros) que sofre com o ataque das gangues que roubam restaurantes. Infelizmente, o publicitário não obedeceu ao pedido de parar dos policiais", afirmou. "Eles têm um microssegundo para tomar uma decisão. O publicitário estava em uma atitude suspeita e por isso atiraram. Não dá para saber quem está do outro lado."

Os PMs Luiz Gustavo Teixeira Garcia, de 27 anos, Adriano Costa da Silva, de 26, e Robson Tadeu do Nascimento Paulino, de 30, foram presos em flagrante por homicídio doloso e estão no Presídio Militar Romão Gomes.

"Neste momento, trabalho para que eles possam se defender em liberdade. Em seguida, vamos traçar com eles a defesa. Estão todos muito chateados com o que aconteceu", diz Capano.

Indenização e investigação. A advogada Daniela dos Santos, que representa a família do publicitário, disse que só na próxima semana deve discutir se haverá algum processo contra o Estado. "Não paramos para analisar as hipóteses jurídicas com a família. Por enquanto, estamos acompanhando o inquérito e as investigações", explicou. O governador Geraldo Alckmin (PSDB) disse que fará de tudo para "acelerar" a concessão de indenização.

A investigação da Polícia Civil prosseguiu ontem ouvindo moradores da Avenida das Corujas, onde aconteceu a abordagem policial. Testemunhas relataram apenas terem ouvido tiros.

O Estado também procurou os vizinhos ontem. Ninguém presenciou a ação. "Eu ouvi um barulho, mas achei que eram fogos (de artifício) por causa do jogo do Corinthians", afirmou Edenilda Alves, de 56 anos. Já Joelma Cristina Bicuda, de 38, disse ter ouvido carros passando em alta velocidade e os tiros, mas afirma não se lembrar do barulho de sirenes.

"Ouvi uma freada brusca e em seguida diversos tiros. Em nenhum momento os PMs pediram para publicitário descer do carro ou deram voz de prisão", relatou uma empresária, que pediu para não ter o nome divulgado.

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