Defesa de Macarrão pede condenação justa; promotor vê 'horda de bandidos'

Advogado alega que réu cumpria ordens do goleiro Bruno; acusação chama jogador de 'facínora' e pede condenação de todos os envolvidos

MARCELO PORTELA / CONTAGEM, O Estado de S.Paulo

24 Novembro 2012 | 02h04

A defesa de Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, pediu uma condenação "justa" pela participação dele no assassinato de Eliza Samudio, ex-amante do patrão do acusado, o goleiro Bruno Fernandes. Já a Promotoria defendeu que "uma horda de bandidos", chefiada por Bruno, matou a jovem. Ontem, no 5º dia de julgamento, após os debates entre acusação e defesa, os jurados se reuniram às 21h. Mas até as 23h, ainda não havia saído a sentença.

Em sua sustentação, o advogado Leonardo Diniz reafirmou que Macarrão estava cumprindo ordens de Bruno, de quem era amigo desde a adolescência e a quem, de acordo com o advogado, "idolatrava" por ter alcançado o sonho de infância de ambos, que era se tornar jogador de futebol. "Que seja aplicada uma reprimenda. Mas que essa reprimenda seja justa. De acordo com sua participação (no homicídio). E que seja absolvido do crime de ocultação de cadáver, porque não pode responder pelo corpo dela", afirmou Diniz, durante a apresentação oral da defesa.

Macarrão é acusado também do sequestro e cárcere privado da vítima, mas a defesa tenta comprovar que ela foi do Rio para Minas com Bruno e os demais acusados por vontade própria. "Será que uma mulher de pavio curto viria para Minas Gerais encarcerada?", indagou.

Com relação ao homicídio, o próprio réu assumiu, em depoimento de mais de cinco horas no Tribunal do Júri, que a jovem foi morta, mas alegou que não conhece o homem a quem entregou Eliza para ser executada, a mando do goleiro, em 10 de junho de 2010.

Após o desmembramento do processo em relação a Bruno, ao ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, o Bola (suposto executor), e à ex-mulher do goleiro, Dayanne Rodrigues do Carmo, foram julgados só o ex-braço direito do jogador, o Macarrão, e a ex-namorada do atleta, Fernanda Gomes de Castro.

Promotoria. Depois de se manter tranquilo na maior parte dos cinco dias do julgamento, o promotor Henry Wagner Vasconcelos, encarregado da acusação, foi incisivo em sua apresentação oral. Vasconcelos classificou os acusados como "horda de bandidos" e chamou de "facínora" o jogador, que acusa de ter tramado o assassinato da ex-amante. O promotor afirmou que réus e testemunhas mentiram na maior parte do tempo.

Vasconcelos foi incisivo e não poupou os acusados de ataques virulentos, criticando até mesmo a confissão de Macarrão, que considerou "inteligentemente planejada" pela defesa do réu. Ao confessar durante depoimento de mais de cinco horas de duração na madrugada de quinta-feira, o acusado assumiu que, a mando de Bruno, entregou Eliza para um homem que ele não conhecia, "pressentindo" que a jovem seria executada. "O Ministério Público não precisava da confissão, inteligentemente planejada. A verdade não veio da confissão. Pelo contrário."

Segundo o promotor, o acusado confessou "não porque ele é bonzinho, nem porque sua defesa entende que ele deveria realizar um gesto de generosidade" com a Justiça. "Justamente porque a prova é firme e não haveria como negá-la é que o réu, orientado por sua defesa, dispôs-se a confessar. E a confessar a seu modo, porque o réu floreia e oculta. Essa é a natureza de quem está com a corda no pescoço", ressaltou Vasconcelos. "Ele não foi mero cumpridor de tarefas. É um dos coarticuladores do crime."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.