Defesa de Denise Abreu não entende indiciamento por acidente

Advogado diz que polícia não pode se basear na opinião pública nem deveria ser pirotécnica; 10 foram indiciados

da Redação, estadao.com.br

19 de novembro de 2008 | 18h23

A defesa da ex-diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Denise Abreu, disse estar perplexa com o indiciamento da cliente pela tragédia da TAM, assim como disse, na última semana, que ela não pode ser culpada pelo acidente. Ao todo, o delegado titular do 15.º Distrito Policial, Antonio Carlos Menezes Barbosa, responsabilizou dez pessoas pelo acidente com o vôo 3054, que deixou 199 mortos em 17 julho de 2007, no Aeroporto de Congonhas, zona sul de São Paulo. O advogado Roberto Podval informou em nota que as autoridades não deveriam ser "pirotécnicas".   Veja também: Ex-presidentes da Infraero e Anac são indiciados pelo vôo 3054 O que mudou e o que não mudou  Os registros das câmeras de segurança  Os nomes e as histórias das vítimas  Familiares entregam projeto de memorial  Tudo o que já foi publicado sobre a tragédia     "A autoridade policial não pode se pautar pela opinião pública. A forma deveria ser técnica. Não pirotécnica", diz o comunicado. "É um absurdo e muito estranho que o delegado tenha anunciado dessa forma para a imprensa uma lista, antes mesmo de as pessoas serem chamadas para ser indiciadas", acrescenta. Podval afirma que medidas judiciais para evitar "essa injustiça" serão tomadas.   A nota é finalizada com o advogado ressaltando "que o acidente não teria ocorrido se os manetes do avião estivessem na posição correta". "Não há qualquer nexo ou ligação possível de causa e efeito entre o trágico acidente e a atuação de Denise Abreu no colegiado de cinco diretores que dirigia a Anac", termina o advogado.   Em coletiva, o delegado apresentou a conclusão do inquérito, que indicia os responsáveis pelo acidente no Artigo 261 do Código Penal, por atentando contra a segurança do transporte aéreo. Cada réu poderá pegar até 6 anos de detenção. Da Anac, além Denise e e do ex-presidente Milton Zuanazzi, foram indiciados também Luiz Kazumi Miyada, superintendente da Infra-estrutura da agência; Marcos Tarcísio Marques dos Santos, responsável pela Superintendência de Segurança Operacional; Jorge Luiz Brito Velozo, à época responsável pela Superintendência de Segurança Operacional.   Da Infraero, foram indiciados o ex-presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira; Agnaldo Molina Esteves, funcionário que fez a avaliação da pista de Congonhas e deu a liberação no dia 17 de julho; e Esdras Ramos, que também fez inspeção na pista do aeroporto da zona sul da capital paulista. Dois funcionários da TAM foram indiciados: Marco Aurélio dos Santos de Miranda e Castro, diretor de segurança de vôo da empresa, e Abdel Salam Abdel El Salam Rishk, ex-gerente de engenharia de operações da companhia aérea.

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