Defesa de Carla Cepollina dispensa suas testemunhas

Estratégia da mãe da acusada de matar o coronel Ubiratan foi revelada após a falta das 2 principais testemunhas de acusação

ADRIANA FERRAZ, O Estado de S.Paulo

06 de novembro de 2012 | 02h09

Cinco anos após o crime e com a mãe como defensora, começou ontem o julgamento da advogada Carla Cepollina, de 46 anos, acusada de matar o coronel Ubiratan Guimarães, há seis anos.

Namorada da vítima na época, Carla teria assassinado o coronel, já aposentado da Polícia Militar, com um tiro no abdome, por ciúmes. Logo no início, a mãe dela, Liliana Prinzivalli, surpreendeu a acusação e o público que acompanha o júri no Fórum da Barra Funda, ao dispensar as cinco testemunhas de defesa. Com a decisão, o resultado deve ser conhecido ainda hoje. Se condenada, Carla pode pegar de 12 a 30 anos de prisão.

A ousadia de Liliana foi uma resposta rápida e oportunista à ausência das duas principais testemunhas de acusação: a delegada da Polícia Federal Renata Azevedo dos Santos Madi, que seria amante do coronel, e o filho dele, Fabrício Rejtman Guimarães. A falta de ambos levou o promotor João Carlos Calsavara a pedir o adiamento do júri. "Em respeito a todos, dispensei minhas testemunhas para dar continuidade ao julgamento", disse a defensora, que afirmou estar na condição de advogada - e não de mãe.

Com o risco do adiamento descartado, foram selecionados os jurados que devem definir no início da noite de hoje se Carla matou o namorado por motivo torpe, meio cruel e sem possibilidade de defesa: seis homens e uma mulher. Segundo a acusação, o crime ocorreu em 9 de setembro de 2006, entre 19h05 e 20h27, na casa do coronel. A ré teria atirado porque achava que estava sendo traída pelo namorado com a delegada Renata.

Firme e confiante na absolvição da filha, Liliana lamentou o fato de Renata não estar presente. "Tinha preparado perguntas que mostrariam aos jurados que Renata mentiu. Ela mudou a versão do seu depoimento três vezes. Não tem coerência. Só na última vez assumiu que tinha relações com o coronel. Falou que eles tinham uma relação sexual superficial." Mas, apesar de assumir que a filha era traída, a defensora nega a possibilidade de crime passional. "Ela não tinha ciúmes. Até conversavam sobre ex-namoradas dele."

Debates. Durante a oitiva das testemunhas, a acusação quis reforçar a tese de que o coronel Ubiratan foi morto no início da noite de sábado, dia 9, por um tiro disparado por Carla, classificada como violenta e possessiva. Do outro lado, a defesa tentou mostrar que laudos periciais indicam que a morte ocorreu no domingo de manhã, quando Carla já tinha deixado o apartamento. A arma do crime, um revólver calibre 38, que nunca foi encontrada, era do coronel.

Nos últimos seis anos, a advogada tem afirmado que é inocente e o coronel teria sido morto por envolvimento em um esquema de propina usado pela vítima durante a campanha eleitoral que fazia na época do crime - deputado estadual, ele era um dos candidatos à reeleição.

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