Defesa de Bruno diz que Macarrão matou Eliza

Após divulgação de estratégia, o advogado do amigo do goleiro renunciou ao caso, mas disse acreditar na inocência do ex-cliente

MARCELO PORTELA , BELO HORIZONTE, O Estado de S.Paulo

13 Março 2012 | 03h04

O advogado Wasley César Vasconcelos renunciou ontem à defesa de Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, acusado de matar Eliza Samudio, de 25 anos, ex-amante do goleiro Bruno Fernandes. Ele anunciou a renúncia em sua página no Facebook, alegando "questões de foro íntimo", mas a desistência do caso ocorreu no mesmo dia em que o novo advogado do atleta, Rui Caldas Pimenta, anunciou uma mudança de estratégia da defesa, que vai confirmar a morte da jovem, mas sem a participação do jogador.

Eliza foi vista pela última vez entre 9 e 10 de junho de 2010 e a Justiça determinou que Bruno, Macarrão, o ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, o "Bola", e Sérgio Rosa Sales, primo do goleiro, sejam levados a júri popular pelo assassinato da jovem, cujo corpo nunca foi encontrado. Até então, a defesa dos acusados negava que Eliza tivesse morrido e destacava que jamais se encontrou seu corpo. "A tese de que ela não morreu porque não tem corpo é falta de leitura do Código Penal. E a turma (os acusados) acreditou nos advogados", disparou Rui Pimenta. A mesma tese já havia levado o advogado Cláudio Dalledone Júnior, então defensor de Bruno, a deixar o caso, sob a alegação de que este é "um argumento infantil e retórico".

Mas Pimenta vai além e, além de confirmar o assassinato, vai alegar à Justiça - provavelmente no julgamento pelo júri popular - que quem matou Eliza foi Bola, como acusou a polícia, mas por ordem de Macarrão, em vez de Bruno. "Realmente o Macarrão levou Eliza para o Bola assassinar. E ocorreu como já foi narrado. Enforcaram e deram partes para cachorros comerem. Devem ter colocado o resto em um forno de pneus e acabou."

Para o advogado, Macarrão, que tem tatuada nas costas a frase "Bruno e Maka. A amizade nem mesmo a força do tempo irá destruir, amor verdadeiro", estava "se sentindo mal-amado", porque o goleiro manteve o relacionamento com Eliza. De acordo com Pimenta, apesar de o goleiro e Macarrão, que era seu braço direito, se conhecerem desde criança, eles não conversam mais. "Eles brigaram na cela e o Bruno não fala mais com o Macarrão porque está pagando essa cadeia por causa dele."

O advogado afirmou ainda que o atleta não denunciou o ex-amigo porque só soube do que ocorreu quando já estava preso e "não teve chance", além de seguir orientação dos advogados anteriores. "Para ele (Bruno), havia dado dinheiro para Macarrão levar ela para viajar quando saiu do sítio", disse, referindo-se à propriedade do atleta onde a jovem foi vista pela última vez.

Rui Pimenta espera agora que o Supremo Tribunal Federal (STF) acate agravo contra decisão que negou liminar para soltar Bruno e conceda a liberdade ao goleiro, em decisão que pode ser tomada ainda neste mês. Em todas as suas instâncias, a Justiça já negou quase uma centena de recursos dos acusados de envolvimento no caso. "Vamos conseguir a libertação para ele poder ser goleiro na Copa do Mundo", afirmou o advogado. Quando foi preso, Bruno atuava no Flamengo.

Justiça. No anúncio que fez de sua renúncia, Wasley Vasconcelos não citou se desistiu do caso por causa da mudança de estratégia da defesa do goleiro. Mas afirmou que acredita na inocência do ex-cliente. "Continuo torcendo, e muito, para que a justiça seja restaurada nesse caso, para todos os réus", afirmou.

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