Defesa Civil culpa falha em estrada por cheia

A cratera aberta anteontem na BR-356, em Campos (norte fluminense), que causou a inundação da comunidade de Três Vendas, não foi uma "ação planejada", como disse o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra. Segundo a Defesa Civil, o rompimento foi causado por falhas na rodovia , que deveria funcionar como um dique, mas não resistiu à força do Rio Muriaé. O nível da água atingiu ontem cerca de 2m de altura onde estão as moradias deixadas às pressas.

PEDRO DANTAS / RIO, O Estado de S.Paulo

07 de janeiro de 2012 | 03h05

A Defesa Civil de Campos culpa o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit) pela cratera. "Houve um rompimento no ponto de passagem de água, onde existiam três manilhas para drenar a água da chuva. Acredito que a obra feita pelo Dnit em 2008 foi malfeita", disse ontem o subsecretário de Defesa Civil de Campos, major Edson Pessanha.

Em nota divulgada anteontem, o Dnit nega que a rodovia tenha sido planejada ou adaptada para funcionar como dique. Segundo o órgão, a água que destruiu a estrada deveria ter sido contida por um dique construído pelo extinto Departamento Nacional de Obras de Saneamento (DNOS). Ele se rompeu em 1979, foi reconstruído, abriu de novo e não existe mais.

Com a extinção do DNOS, a maioria dos diques feitos por esse órgão passou à responsabilidade do Instituto Estadual do Ambiente (Inea). Segundo o Inea, porém, o dique ao qual o Dnit se refere não está sob sua responsabilidade. O Inea afirma que nenhum dique mantido pelo órgão foi destruído.

Inundação. Cerca de 2 mil moradores que deixaram suas casas em Três Vendas estão em três abrigos municipais. Outros 2 mil ainda resistiam ontem a abandonar suas residências, com medo de saques. A maioria das casas tem dois andares, os moradores colocaram os móveis na parte alta e planejavam continuar lá. Para evitar acidentes, a Defesa Civil cortou a eletricidade.

A Defesa Civil pede que todos deixem a área e ressalta que a água será escoada em 30 dias. / COLABORARAM FÁBIO GRELLET e FELIPE WERNECK

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