Defesa até sugere que instrutor de voo esteve ligado ao narcotráfico

Ele foi relacionado a crimes internacionais; Promotoria considera estratégia adotada por advogados de 'baixo nível'

O Estado de S.Paulo

20 de fevereiro de 2013 | 02h04

Para desacreditar uma das principais testemunhas de acusação contra Gil Rugai e, ao mesmo tempo, convencer os jurados de que existia um outro motivo para alguém querer matar Luiz Carlos Rugai e Alessandra Troitino, os advogados de defesa partiram para o ataque contra o instrutor de voo Alberto Bazaia Neto. Ele foi vinculado a escândalos relacionados ao tráfico internacional de drogas. Os advogados de defesa Thiago Anastácio e Marcelo Feller o indagaram sobre a participação dele e de sua família em esquema de receptação e distribuição de drogas a partir do Aeródromo de Itu, onde Luiz Carlos praticava aulas de voo.

No depoimento do delegado Rodolpho Chiarelli, a defesa insistiu em criticá-lo por ter seguido somente uma linha de investigação - a que apontava Gil Rugai como autor do crime. Uma das evidências seria o fato de o delegado ter descartado a apreensão de 359 gramas de maconha na residência do casal. A defesa quis demonstrar que existia a hipótese de alguém ter invadido a casa em busca de um vídeo que comprometia os supostos assassinos. Gil Rugai seria uma espécie de bode expiatório, cuja acusação foi feita com auxílio de policiais. "Não quero levantar suspeitas sobre a polícia, mas há banda podre", disse Feller.

Os advogados tentaram demonstrar que as investigação havia contribuído para transformar Gil Rugai em um monstro, tendo o acusado, inclusive, de ser nazista. Os advogados mostraram vídeo de Rugai na escola usando roupas e suásticas para discutir o nazismo.

Para a acusação, a tentativa de associar o caso com o tráfico trata-se de uma estratégia de "baixo nível", que tem como objetivo tirar o foco do julgamento. O promotor de justiça Rogério Zagallo destacou que a testemunha é importante para o júri por ter ouvido de Luiz Carlos um desabafo sobre o filho dias antes do crime: "Luiz Carlos contou a ele (Alberto) que tinha medo do filho e que teria ouvido de Gil a seguinte frase: 'Pai me ajuda, na minha cabeça só penso em te prejudicar'", destacou o promotor.

Acareação. O juiz Adilson Simoni não descartou ontem a possibilidade de promover uma acareação entre o vigia Domingos, que afirmou anteontem ter visto Gil Rugai deixar a casa do pai na noite do crime, e seu colega Fabrício. Em suposto depoimento prestado informalmente à polícia na época do crime, Fabrício teria relatado que conversou com Domingos após os disparos e ele afirmou não ter visto nada./ A.F. e B.P.M

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