Defesa aposta em depoimento de casal

Para advogado, essa será a oportunidade de acusados darem sua versão; mãe de Isabella é principal testemunha do Ministério Público

Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

21 Março 2010 | 00h00

O criminalista Roberto Podval e o promotor de Justiça Francisco José Cembranelli convocaram testemunhas que devem garantir emoção ao júri do caso Isabella, elemento tradicional nesse tipo de julgamento. Defesa e acusação relacionaram 23 pessoas para serem ouvidas no júri.

O advogado conta com os interrogatórios de seus clientes, o casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá. Quer que os jurados tenham a possibilidade de olhá-los e ouvi-los dizer a sua verdade. "O que ninguém pensa, o que ninguém vê, é que tem mais duas crianças desamparadas, sem pai e mãe, que estudam com outro sobrenome. Há uma realidade que ninguém vê", diz o criminalista.

Cembranelli aposta no depoimento de Ana Carolina de Oliveira, mãe da menina, nascida de um relacionamento com Nardoni que foi rompido quando a garota tinha 11 meses. Ontem, ao Estado, a mãe disse esperar que seja feita justiça, com a condenação dos acusados. "Procurei apoio para não me enterrar com ela (Isabella)", afirmou.

O promotor escolheu quatro testemunhas - a mãe, a perita Ronsângela Monteiro, a delegada Renata Ponte e o médico-legista Paulo Sérgio Tieppo Alves. Os três últimos também foram convocados pela defesa, que chamou quase todos os policiais que atuaram no caso. O Estado ouviu dois deles: o delegado Calixto Calil Filho e o investigador Luiz Alberto Spínola de Castro.

"As provas mostram que o casal matou a menina", disse Calil. Spínola lembra-se de como surgiu um dos mais importantes dados do caso: o horário em que o casal chegou ao Edifício London, onde ocorreu o crime. "Uma foto do carro deles publicada na imprensa nos fez receber o telefonema de um funcionário da empresa de rastreamento. Ele disse que o Ford Ka do casal tinha GPS." O horário de chegada era 23h36. Doze minutos depois, o resgate foi chamado - a menina havia sido atirada do 6º andar.

Não haveria, segundo a acusação, tempo suficiente para que a versão dos Nardonis fosse factível - o pai chega com os filhos, desliga o carro e sobe com Isabella no colo até o apartamento. Ali, deixa a menina na cama e volta à garagem para apanhar a mulher e os dois filhos pequenos. Na volta, acha a porta aberta, a tela de proteção cortada e a menina caída no gramado do prédio. A polícia cronometrou a versão do casal e chegou à conclusão que seriam necessários 16 minutos para tudo isso.

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