Rafael Arbex/Estadão
Rafael Arbex/Estadão

Defensoria Pública vê ação da GCM na Cracolândia como abusiva

Secretário municipal de Segurança Urbana diz que corporação agiu de acordo com a lei para combater tráfico no local

Ana Paula Niederauer, O Estado de S.Paulo

29 Setembro 2017 | 14h45
Atualizado 29 Setembro 2017 | 19h17

SÃO PAULO - A Defensoria Pública do Estado de São Paulo considerou que a ação de revista feita pela Guarda Civil Metropolitana (GCM) aos usuários de droga na Cracolândia, região central da capital, nesta quinta-feira, 28,extrapolou os limites legais.

Segundo o defensor público Carlos Weis, coordenador do Núcleo de Cidadania e Direitos Humanos da Defensoria Pública, a GCM confinou em um espaço uma parte significativa do fluxo, como se as pessoas fossem animais, e elas foram submetidas indiscriminadamente a revistas.

"As imagens que vi ontem são terríveis, as pessoas ficaram encurraladas em um espaço, em uma situação absolutamente degradante, como se fossem animais no curral. A polícia tem de ter um mínimo de respeito para realizar a revista", disse Weis.

Nesta quinta-feira, houve uma ação de limpeza de rotina na Cracolândia que terminou mais uma vez em conflito entre a Guarda Civil Metropolitana (GCM) e usuários de drogas. Pessoas que trabalham próximo ao local relataram em redes sociais que houve correria e tumulto.

Investigação

O secretário municipal de Segurança Urbana, José Roberto Rodrigues de Oliveira, afirmou ao Estado que a GCM acompanha as ações de zeladoria na região e que a corporação agiu de acordo com a lei para combater tráfico no local. 

"A GCM interveio com bombas de efeito moral e spray de pimenta para conter a confusão que se instaurou ontem na Cracolândia. Realizamos a revista de forma adequada: a Guarda masculina revistou os homens; e a feminina, as mulheres. Não houve revista íntima", explicou.

De acordo com o secretário, na ação de combate ao tráfico realizada nesta quinta-feira, foram apreendidos um quilo de crack, lança-perfume e balanças.

"Todas as nossas ações são filmadas por drones. Nós temos um cuidado muito grande com isso. Nós vamos ouvir as pessoas envolvidas e apurar se houve algum abuso de autoridade", argumentou. "A verdade é o único caminho."

Em entrevista ao Estado, o defensor público Carlos Weis afirmou que as pessoas foram revistadas por estar em situação de vulnerabilidade. "Elas não foram reconhecidas com direitos fundamentais. Não se pode fazer isso", argumentou Weis.

Nesta sexta-feira, a Defensoria Pública vai enviar um ofício para o comandante-geral da GCM cobrando explicações sobre a forma abusiva que a corporação fez a revista nos usuários de drogas na Cracolândia.

De acordo com Weis, o ofício também terá uma recomendação para que este tipo de ação violenta não se repita. "Vamos enviar o ofício com esses pedidos, se não surtir efeito, vamos entrar com uma ação na Prefeitura", disse Weis.

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