Defensor de baleado por PMs pede a anulação do depoimento

Carlos Weis, responsável pela defesa de Fabrício Chaves, disse que só foi avisado de que estava ocorrendo o depoimento pelo irmão da vítima e que, por isso, só chegou ao final

Laura Maia de Castro, O Estado de S. Paulo

30 de janeiro de 2014 | 18h18

Atualizada às 19h05

SÃO PAULO - O defensor público Carlos Weis, responsável pela defesa do estoquista Fabrício Chaves, de 22 anos, baleado por PMs durante o protesto "Não vai ter Copa" no sábado, protocolou nesta quinta-feira, 30, um documento no Distrito Policial da Consolação (4°DP) pedindo a anulação do depoimento colhido pela Polícia Civil na terça-feira, 28, na Santa Casa. Segundo o defensor, ele só teve acesso ao final do depoimento porque soube do procedimento pelo irmão da vítima que lhe enviou uma mensagem de texto para contar que os policiais estavam no quarto da Unidade de Tratamento Intensivo.

Além disso, Weis afirma que Chaves estava sob efeito de medicamentos a base de morfina e não tinha condições de prestar esclarecimentos para a Polícia.Segundo a Secretaria da Segurança da Pública de São Paulo (SSP), o depoimento foi colhido de forma legal.

"A polícia basicamente invadiu a UTI, nem sequer tomou as medidas de higiene necessárias, e tomou o depoimento sem avisar a defesa e a família de Fabrício. Acho que foi uma ato absolutamente precipitado e desnecessário", disse o defensor.

O defensor disse que ainda na noite desta quinta-feira, 30, vai pedir que um novo depoimento seja agendado. "Vou pedir que o depoimento de terça-feira seja considerado 'sem valor' e que seja agendado outro para quando o Fabrício tenha melhor condição de saúde".

Questionada sobre a legalidade do depoimento, a Secretaria de Segurança Pública, em nota, disse que Chaves foi ouvido de maneira legal. "O delegado titular do 4º DP José Gonzaga Pereira da Silva Marques informou que a polícia cumpriu o ritual legal sem qualquer prejuízo à saúde e segurança do Fabrício Chaves. Esclarece, ainda, que não houve qualquer restrição médica para colher o depoimento. O estoquista estava lúcido e manifestou-se de forma espontânea, acompanhado do irmão e da prima. Marques explicou que o defensor Carlos Weiss chegou ao final do depoimento, mas pediu para constar a informação no documento".

Também por nota a Santa Casa se pronunciou sobre o estado de saúde de Chaves no momento em que foi ouvido pelos policiais."O paciente Fabrício Proteus Chaves, no momento dos depoimentos aos delegados do 4º DP, estava lúcido, bem orientado e sem dificuldades na fala, sem sedação há mais de 28 horas, estava respirando espontaneamente e não estava recebendo qualquer medicação de suporte circulatório ou que pudesse comprometer seu raciocínio. Portanto, não havia, da parte médica, qualquer empecilho para seu depoimento."

Saúde. Na tarde desta quinta-feira, 30, Chaves deixou a Unidade de Tratamento Intensivo da Santa Casa e está internado em um leito da enfermaria do hospital. Desde o último sábado, o estoquista estava internado na UTI após ter sido baleado na noite de sábado, 25, durante o protesto "Não vai ter Copa", por policiais militares, na região central de São Paulo. Na versão da polícia, agentes teriam disparado em legítima defesa após Chaves ter ameaçado um dos PMs com um estilete. Entretanto, em depoimento colhido no hospital, segundo a Secretaria de Segurança Pública, Chaves afirmou que só sacou o estilete após ter sido atingido por um tiro.

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