Declarações não causam surpresas, dizem especialistas

Em visita a hospital no Rio que trata de dependentes químicos, Francisco chamou traficantes de 'mercadores da morte'

Bruno Ribeiro, O Estado de S.Paulo

25 de julho de 2013 | 02h06

A reafirmação feita pelo papa Francisco da posição da Igreja Católica contra a liberação das drogas foi recebida sem surpresa por especialistas no tema.

Para o psiquiatra Thiago Marques Fidalgo, professor da Universidade Federal de São Paulo, "a proibição não é feita com base em parâmetros científicos. É baseada em um conceito moral". A Igreja, diz ele, "condena o vício". "Então, ele poderia falar também sobre o consumo de drogas lícitas, como o álcool. Em termos práticos, para quem lida com os dependentes, não faz muita diferença se a droga (que causou a dependência) é lícita ou não", afirma. "Essa posição dificulta o debate." Mas ele diz concordar com a visão de que o dependente precisa ser tratado como um paciente e assistido pelos serviços de saúde.

Já Ronaldo Laranjeira, coordenador do Projeto Recomeço, do governo de São Paulo, que estimula programas de internação, concorda com Francisco e lembra que, há três anos, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) já defendia a visão externada pelo papa. "Nem liberação nem criminalização do dependente. A saída passa por sua recuperação. E a recuperação inclui a volta dos valores pessoais, que podem ser chamados de valores cristãos."

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