Decisão imediatista fará a sociedade pagar o preço

Análise: Jaime Waisman

É PROFESSOR DE TRANSPORTE PÚBLICO , DA ESCOLA POLITÉCNICA DA USP, O Estado de S.Paulo

04 Abril 2012 | 03h06

Caminhões rodando pela cidade durante o dia todo, em todos lugares, é um fenômeno brasileiro. É algo do século passado. Atualmente, você vai para as grandes cidades do mundo e não enxerga caminhões trafegando pelas ruas.

Trata-se de uma questão de programação. É evidente que isso pode acarretar maiores custos, por se ter de trafegar durante a noite e de madrugada, mas trata-se de uma tendência mundial. Por isso, a decisão da Prefeitura de São Paulo de restringir a circulação de caminhões está correta e seguindo a linha das grandes cidades do mundo.

Esse pessoal que tomou a decisão de cancelar a restrição na região do ABC precisa se conscientizar de que eles fazem parte da Grande São Paulo e que são 20 milhões de habitantes. Como aspiramos ser uma grande metrópole mundial se continuam pensando como 100 anos atrás?

As empresas e transportadoras têm poder de organização - o que a sociedade não tem para se proteger do congestionamento. O custo do trânsito congestionado para a sociedade é difuso, é algo que se sente na pele, na qualidade de vida, ao passo que as transportadoras conseguem contabilizar esse custo.

A longo prazo, essa decisão vai prejudicar todo mundo, até elas, as transportadoras. Porque o congestionamento vai aumentar e o caminhão preso no trânsito faz menos entregas. É preciso mudar esse paradigma, usar as possibilidades da informática, com o uso de roteadores.

As empresas, infelizmente, são muito imediatistas. A qualquer mudança, a primeira coisa que fazem é protestar contra.

No entanto, não tem jeito. Provavelmente, em aproximadamente cinco anos, toda a Região Metropolitana estará sob um regime de restrições muito mais sério do que o que nós temos atualmente.

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