CLAYTON DE SOUZA/ESTADAO
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Decisão de paralisar obras do Bosque Cidade Jardim cita crise hídrica

Denúncia do MPE afirma que há duas nascentes e dois córregos canalizados de forma irregular; 'trata-se de verdadeiro oásis'

Rafael Italiani, O Estado de S. Paulo

14 de janeiro de 2015 | 03h00

O juiz Alberto Alonso Muñoz usou a severa estiagem que atinge os reservatórios de água da Grande São Paulo para justificar a decisão de paralisar as obras do Bosque Cidade Jardim. “Devo destacar que em épocas de ‘crise hídrica’ (eufemismo para racionamento de água), o descuido com a proteção ambiental é de tal gravidade que não pode ser tolerado. O que está em jogo é a vida de milhões de habitantes que vivem numa metrópole como São Paulo”, alegou o magistrado, na decisão em caráter liminar.

A denúncia do MPE afirma que há duas nascentes e dois córregos canalizados de forma irregular no terreno. “Trata-se de um verdadeiro oásis em meio à avassaladora expansão das áreas construídas desta cidade”, afirmou o promotor e autor da denúncia, Luís Roberto de Proença. O laudo do órgão aponta que a água nasce perto do Clube Paineiras do Morumby, desce para um córrego e segue para o Rio Pinheiros.

Helena Caldeira, presidente da Associação Morumbi Melhor, também condenou a canalização das nascentes. “São áreas de várzea, ricas em nascentes e isso tem de ser respeitado” disse. “Essa crise de água também é por falta de respeito à legislação e os órgãos públicos deveriam ser os primeiros a preservar isso. Estão secando os lençóis freáticos porque é tudo construído sobre eles.” 

Ela disse ainda que a margem da Marginal do Pinheiros onde está localizado o empreendimento, que fica no sentido Interlagos da via, é um dos poucos locais que levam oxigenação para dentro do rio. Isso porque, de acordo com ela, há vegetação da Mata Atlântica.

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